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4 de abril de 2018

Resenha: Fantastic Beasts and Where to Find Them: The Original Screenplay

© Elton Cardoso

À essa altura, creio que todos já estão sabendo que a J.K. Rowling, autora de Harry Potter, também anunciou que uma nova saga do Mundo Bruxo, Animais Fantásticos e Onde Habitam foi o primeiro filme de cinco. Como todo Potterhead sabe, a Jo mantém tudo que envolve o Mundo Bruxo debaixo de suas assas e ela não é de entregar esse universo que passou cerca de 17 anos o aprimorando com os livros de Harry Potter. Dessa forma, ela se aventurou ao escrever o roteiro de uma história original para o cinema de seu universo fantástico, com isso, podemos esperar que a nova saga, assim como os livros, terá uma história bem amarrada e fechada, uma vez que tudo sairá da cabeça dela.

Uma vez lançado o filme nos cinemas e atendendo praticamente todas as expectativas dos fãs (as minhas, pelo menos, foram bem atendidas, pois, no elenco tem dois atores que eu admiro muito, o Eddie Redmayne e o Ezra Miller, além do enredo ser ótimo). Assim, pouco tempo depois do lançamento nos cinemas, foi lançado o enredo original do filme escrito pela própria J.K. Rowling, e é claro, eu não poderia deixar de ler.

Como já dito antes, o livro é na verdade um roteiro, logo, toda a diagramação será deste gênero específico. Apesar de o livro ser um pouco grande em relação a quantidade de páginas, eu consegui lê-lo bem rápido e mesmo em outro gênero de escrita distinta do que conhecia da Rowling, uma vez que ela escreve romances, é possível ver que de fato foi ela quem escreveu sim, a escrita é dela, o envolvimento e a riqueza em detalhes são características da autora, só essa familiaridade é reconfortante.

Além disso, o livro em si é muito lindo, desde a capa em um azul muito bonito, toda a arte é em auto relevo e na cor dourada, que acaba fazendo uma alusão aos anos 1920 em que a história é situada, e também é possivel ver outras ilustrações dos animais ao longo do livro com a mesma pegada vintage feita pelos artistas NimaLima, que são os responsável por praticamente todo o design visual desde o primeiro filme de Harry Potter e continuam na nova era.


3 de abril de 2018

Resenha: Thirteen Reasons Why, de Jay Asher

Já começo está resenha dizendo que o motivo pelo qual eu me interessei em ler o livro foi por pura influência da série de TV produzida pela Netflix que foi lançada no ano passado.

Assim como a série causou um verdadeiro rebuliço nas redes sociais na época em que foi lançada, eu assisti a alguns episódios e a história realmente me prendeu, assim, eu assisti a série enquanto lia (e ouvia) o livro simultaneamente.

E CARAMBA, MEU ODIM! Hoje fico me perguntando como consegui lidar com tanta informação densa e pesada que a história carrega, mas digo que não foi fácil!

A história, de autoria do americano Jay Asher, é narrada em primeira pessoa e temos dois personagens principais, o Clay Jenson e a Hannah Baker. O livro inicia com o Clay recebendo uma caixa com algumas fitas cassetes e, ao ouvi-las, ele descobre que pertenciam à Hannah, sua amiga que há pouco tempo se suicidou – isso não é spoiler, já aparece bem no começo do primeiro capítulo – e que em cada lado das fitas, 13 lados ao todo, é dedicado à uma pessoa que a Hannah considerava como um dos motivos que a levaram a cometer suicídio, dessa forma, as fitas deveriam ser entregues a cada uma das pessoas que foi mencionada nelas respectivamente.

Ao saber disso, o Clay fica bastante nervoso, uma vez que ele recebeu as fitas significa que ele é um porquê e, definitivamente, ninguém gostaria de ser um dos motivos que levaram uma pessoa a se matar. Mas, ele ouve as fitas mesmo assim, e com isso, a narração é intercalada entre o Clay e a transcrição do que há nas fitas na voz de Hannah.

No começo ficou um pouco confuso saber de quem era a voz narrativa ali em questão, mesmo que a formatação do texto mudasse de acordo com a voz narrativa – a narração do Clay tinha a formatação padrão, enquanto a da Hannah era em itálico.

Logo, chega um momento do livro, na minha opinião, em que a presença do Clay é totalmente desnecessária, pois, a Hannah rouba toda a cena, e para lembrar ao leitor que o Clay existia, ele aparecia em momentos totalmente desnecessários, na maioria das vezes, sem absolutamente nada de importante para acrescentar à história. Isso me fez achar esse personagem super supérfluo e irritante, a única contribuição dele é nos fazer saber o conteúdo das treze fitas.

Ao ir aprofundando cada vez mais na leitura, fui descobrindo quais eram as razões que levaram Hannah a tomar tal decisão, e concordo que ela passou por várias situações difíceis.

Além de abordar uma temática séria que é o suicídio na adolescência, o autor também trabalha em seu livro questões corriqueiras que podem levar uma pessoa à depressão e, consequentemente, a cometer suicídio. Questões como bullying, baixa autoestima, críticas destrutivas e histórias maldosas/mentirosas que outras pessoas inventam, podem trazer consequências drásticas à vida de uma pessoa, isso acabou gerando uma reflexão enquanto estava lendo, além de ter feito rever algumas das minhas atitudes, uma vez que jamais saberemos o real impacto que nossas ações terão na vida de outra pessoa.

Thirteen Reasons Why é um livro denso, pesado de ser lido, a maneira em que Hannah se referia à sua própria vida nas transcrições das fitas realmente me chocou, foi um baque, um soco no estomago, pois é narrado de uma forma muito crua, sarcástica e com muita dor.

É claro que esse é apenas uma representação fictícia de como uma pessoa suicida se sente em relação à própria vida, mas mesmo assim, é impactante ver o quanto foi doloroso para ela vivenciar tudo o que passou.

13RW é um livro que causa muitas reflexões e trabalha um tema sério que tem acontecido com uma frequência absurda – pelo menos na região em que eu moro –, e a sociedade parece fechar os olhos para essa problemática, assim como para outras. Além de cutucar a ferida, o livro chama atenção para as nossas ações como indivíduos únicos e as consequências que tem nas vidas de outras pessoas, mas como também, a não banalização do tema, que é algo muito sério, e deve ser tratado como tal.

Em síntese, Thirteen Reasons Why (ou Os 13 porquês, na versão do Brasil), é recomendado para aqueles que desejam ter um conhecimento mais verossímil acerca do suicídio, em como uma pessoa que sofre bullying constantemente se sente, nos fazer ter uma noção, mesmo que breve e superficial, do que pode se passar na cabeça de uma pessoa suicida. Apesar de ser uma leitura densa, o livro traz ótimas reflexões acerca do assunto e do que permeia o tema.


2 de abril de 2018

Resenha: Cidades das Almas Perdidas, de Cassandra Clare

© Elton Cardoso
Como de praxe, o quinto livro da série “Os Instrumentos Mortais”, “Cidade das Almas Perdidas”, escrito pela americana Cassandra Clare, tem seu início poucas semanas depois do ocorrido no final de seu antecessor, “Cidade dos Anjos Caídos” (resenha aqui).

Clary está desesperada com o sumiço de Jace e ainda mais com o fato dele não ter deixado nenhum rastro ao sumir. Com isso, a Clave mandou os seus melhores Caçadores em busca dele, porém, sem nem um sucesso. Isso faz com que um nível de estresse e desespero se instale em todos aqueles que são próximos de Jace. Enquanto isso, a Clave também está igualmente preocupada ao saber que Sebastian está vivo e, possivelmente, junto a Jace, e o fato de não saber o que ele está tramando faz com que o clima de tensão se instale logo no começo do livro.

Consoante a isso, descobrimos, alguns capítulos depois, que o Jace está vivinho da Silva (e isso não é spoiller) e vai em busca de Clary e propõem que ela fuja com ele e seu irmão legítimo, Sebastian. Clary hesita, mas na tentativa de se tornar uma espiã e conseguir saber o que estão planejando, decide ir junto.

Assim, é descoberto que Jace e Sebastian estão ligados por um tipo de feitiço demoníaco feito por Lilith, em que Jace é totalmente submisso às vontades de Sebastian, além disso, se alguém machucar um o outro será igualmente machucado, logo, se um morrer, instantaneamente, o outro morrerá também.

Isso faz com que a tensão fique ainda maior. Magnus, faz o que pode para tentar encontrar um feitiço que possa romper com essa ligação demoníaca e, poder matar Sebastian sem ferir Jace. Mas ele não encontra nada que sua magia possa fazer. Assim, ainda mais frustrado, e com a ajuda de Alec, Izzy e Simon, pensam em várias alternativas igualmente absurdas e perigosas com a invocação de um Demônio Maior e até mesmo um Anjo.

Paralelo a todo o plot principal da quinta história, temos o que acontece na vida pessoal dos demais personagens – na minha opinião, essa é a melhor parte. Magnus e Alec estão em uma situação estranha no relacionamento deles, mas, apena da parte de um deles e isso faz com que Alec cogite a pensar em algumas atitudes que envolvem o Magnus que podem ser muito perigosas.

Maia e Kyle estão cada vez mais próximos e neste livro, o relacionamento deles tendem a entrar em um novo patamar.

Izzy está desenvolvendo sentimentos confusos e conflituosos em relação a Simon, e esse plot foi simplesmente o meu favorito neste livro, que me fez fica cada vez mais ansioso para saber o que iria acontecer com eles dois. Aqui, podemos descobrir um lado que até então não tinha sido mostrado desses dois personagens. Além de Simon está enfrentando alguns problemas pessoais.

Já o plot da Clary e do Jace (ft. Sebastian), neste livro, foi o mais chato e sem graça para mim. Eu adoro o casal, eles exalam sensualidade como ninguém (um grande ponto da autora), e adorei as cenas deles nos demais livros, mas neste não funcionou muito bem, o ritmo não estava legal, as conversas que caiam sempre no mesmo. Sempre que chegava no plot deles, que é o principal de certa forma, eu ficava ansiando para terminar logo para eu saber o que acontecia em qualquer um dos demais plots que, de novo, na minha opinião, estavam muito mais legais que o deles.

Como é de se esperar, chega o momento em que todos os plots se juntam para formarem o tão esperado clímax do livro e, igualmente previsível, a autora responde várias perguntas assim como cria vááárias outras e decide terminar o livro na melhor forma de: MEU DEUS, EU PRECISO DO PRÓXIMO LIVRO COM URGENCIA.

Apesar de alguns pontos negativos que expus nesta resenha, o livro “Cidade das Almas Perdidas” (aliás, alguém pode me explicar qual é a dos títulos dos livros dessa saga? Por que a maioria dos títulos simplesmente não fazem nenhum sentido à história, pelo menos eu não consigo associar), é muito bom para quem adora uma história de fantasia com ação, romance e muito entretenimento.


Só pretendo ler o sexto e último livro da saga (também o menor livro) nas próximas férias, então terei que me contentar com a nova temporada de Shadowhunters que será lançada em breve na Netflix.


1 de abril de 2018

Resenha: Cidade dos Anjos Caídos, de Cassandra Clare

© Elton Cardoso

“Cidade dos Anjos Caídos” é o quarto livro da saga “Os Instrumentos Mortais”, escrito pela americana Cassandra Clare. Assim como terminou o seu antecessor, “Cidade de Vidro” (resenha aqui), a quarta história começa exatamente de onde parou. Isso, na minha opinião, faz com que, não importe quanto tempo eu tenha passado para ler a nova história, o sentimento de que o tempo não passou permanece.

Simon está tentando se adaptar da melhor forma possível à sua nova vida de vampiro, ao fato de ser um Diurno e carregar a Marca de Caim, e com isso, ele acaba conhecendo a vampira Camille Belcourt, bastante velha e poderosa, além de ser a líder do bando de Nova York. Ao saber dos poderes diurno do novo vampiro, esta oferece uma aliança, em que Simon prontamente recusa e, durante a conversa, os seus amigos Caçadores de Sombras acabam prendendo ela, o que a deixa bastante furiosa.

Paralelo a isso, temos um Jace, ressuscitado da morte, que não está totalmente em seu melhor estado, pois ele passa a ter pesadelos constantes envolvendo situações estranhas e perigosas daqueles que ele ama, incluindo a Clary. Consoante a isso, o casal principal da história descobre que tem uma pessoa tentando transformar bebês recém-nascidos em algo semelhante ao que Valentim fez com Jonathan/Sebastian, e com isso, se inicia uma investigação que, de certo modo, acaba levando aos principais plots do livro.

Ademais, outros personagens estão tentando levar suas vidas da melhor forma que podem, isso incluem Jocelyn e Luke, que estão planejando seu casamento. Porém, no dia do casamento é desencadeado uma série de acontecimentos que nos leva ao clímax do livro, aqui, é explicado parcialmente, o motivo de Jace está tendo tantos pesadelos e agindo estranhamente, assim, com a explicação de outros fatos e acontecimentos totalmente inesperados que me deixou devastado (para citar a Gaga).

Desta forma, como é de se esperar nos livros de Cassandra Clare, temos um final que resolve algumas questões apresentadas durante o livro, como disse anteriormente, mas, em contrapartida, várias outras situações acontecem e a autora termina a quarta história assim, sem solucionar nenhuma, nos deixando à mercê da curiosidade e ansiedade para o que vai acontecer no livro seguinte.

O livro “Cidade dos Anjos Caídos”, tem a mesma fluidez que os seus irmãos anteriores, a autora tem uma grande habilidade de criar histórias paralelas ao plot principal que me faz ficar ainda mais apegado para saber o que acontece na vida dos personagens, assim como ela sabe escrever como ninguém cenas de pegação/romance que só Jesus na causa, menina Clare.

Então, se você leu os demais livros, provavelmente irá gostar deste!


30 de março de 2018

Resenha: Turtles all the way down, de John Green

© Elton Cardoso

Com o boom que foi o lançamento do livro “A culpa é das estrelas” (resenha aqui), do americano John Green e a adaptação de seus livros para as telas de cinema, praticamente todo mundo já deve ter ouvido falar desse incrível autor.

Mas a fama mundial de John Green o fez entrar em uma espécie de bloqueio criativo que durou anos, fazendo com que ele chegasse a anunciar que talvez não escrevesse mais livros depois de ACEDE, o que me atingiu como um verdadeiro baque, pois Green é um dos meus autores favoritos EVER.

Porém, no início de 2017, ele anunciou que finalmente curou o bloqueio criativo e que iria lançar ainda neste mesmo ano, seu novo livro e, eis que, depois de cinco anos, ele lançou “Turtles all the way down”, lançado simultaneamente aqui no Brasil com o título de “Tartarugas até lá embaixo”.

Rapidamente, comprei o livro em pré-venda – como é um dos meus objetivos ler, sempre que possível, em inglês para manter a fluência na língua, optei pela versão original em e-book –, e comecei a ler nos intervalos de um conturbado final de período da faculdade. Logo no primeiro capítulo foi possível reconhecer a gostosa escrita do John Green.

TATWD tem como protagonista a Aza Holmes, uma atípica adolescente (como todos os protagonistas do John Green) que ainda está no Ensino Médio e, junto com sua melhor amiga, Daisy (famosa na interwebs por escrever fanfics de Star Wars), decidem investigar o caso de um sumiço de um empresário bastante rico de sua cidade em troca de uma recompensa em dinheiro.

Como de praxe, o autor, em seus livros, sempre procura trazer luz à problemas que existem, mas que não são amplamente discutidos, assim como ter nerds como seus protagonistas e, através deles, desenvolver sua crítica.

Em livros anteriores, já foi abordado questões sobre câncer, bullying, sexualidade, além dos mais variados problemas que pessoas consideradas nerds enfrentam por terem uma personalidade que não se encaixa nos padrões de nossa sociedade. Isso é o que eu mais adoro nos livros do Jão Verde: ele mostra que os underdogs são tão legais quanto os populares, por exemplo.

Em “Turtles all the way down”, através da Aza, será abordado questões acerca da saúde mental e Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC), que são enfrentados pela protagonista que tem medo compulsivo de contrair uma infecção muito rara que poderá matá-la.

Graças ao TOC, a Aza acabou desenvolvendo outras doenças, como a crise de pânico e crise de ansiedade, e essas doenças mentais são brilhantemente retratadas durante todo o livro, assim como as metáforas que o autor utiliza para representar como uma pessoa que está em uma crise de ansiedade se sente (me senti bastante representado nesse momento, e Green soube representar muito bem essas crises de uma forma muito legal).

Admiro muito autores que sabem e utilizam a metáfora – minha figura de linguagem preferida –, pois, na minha opinião, é possível dizer, através da metáfora, de uma forma bem simples, algo supercomplexo e se encaixar na visão de mundo de qualquer pessoa, sem diminuir toda a complexidade e importância deste assunto.

John Green optou por trabalhar a saúde mental em seu livro pois, ele tem TOC e sofre de ansiedade, assim como sua personagem e, ao ler vários livros sobre o assunto, ele nunca encontrou um que de fato descrevesse como ele se sentia, então, seguindo a máxima “se tá achando ruim, faça você mesmo”, ele foi lá e fez, e fez de uma forma incrível. Já deu para perceber o quanto eu adorei esse livro?

Enfim, paralelo a isso, Aza e Daisy decidem investigar o caso do desaparecimento que, por coincidência, é o pai de um antigo amigo de infância da Aza, o Davis, por quem tinha um crush antigamente. Com a ajuda de alguns amigos, a história vai sendo narrada de uma forma bem fluída.

O autor tem a habilidade de criar personagem que são bastante cativantes, a Daisy tem uma personalidade única, é bastante engraçada e desbocada, e sua história é bastante interessante. Já o Davis consegue ser um garoto fofo, inteligente, mas também frágil, gostei da forma como Green demonstra essa fragilidade em uma personagem masculina, mesmo que adolescente – que não é tão comum assim – de forma totalmente humana que nos faz lembrar que os homens não estão imunes a sentimentos que são inerentes à raça humana, por mais que a sociedade, até hoje, diga-nos o contrário.

Desta forma, John Green nos faz praticar a empatia. Não tem como não sentir a dor de suas personagens, não se identificar com eles e torcer por eles.

Turtles all the way down é um livro um pouco denso por abordar problemas sérios como a saúde mental de uma forma bem direta, mas que é intercalado com ótimas cenas de humor, além de ser possível aprender, através dos conhecimentos e gostos peculiares de suas personagens, sobre temas extremamente aleatórios – mais uma característica marcante do autor que está presente em seus livros.

Assim, recomendo este livro para todos aqueles que tem interesse em conhecer mais e ter uma noção, mesmo que superficial, sobre como é que uma pessoa que tem TOC, crise de pânico e ansiedade se sente, uma vez que esse tema é bastante ignorado e banalizado em nossa sociedade.




22 de março de 2018

Resenha: Call Me By Your Name, de André Aciman

© Elton Cardoso
“Call Me By Your Name”, do escritor americano André Aciman, é uma das obras mais bombadas desses últimos meses graças ao grande retorno que a versão cinematográfica está tendo e, agora, mais do que nunca com as quatro indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme.

A história se passa majoritariamente durante os anos 1980 na Itália e é narrada em primeira pessoa pelo protagonista Elio. Logo no começo do livro, o Elio, que tem apenas 17 anos, nos conta que seu pai é um grande professor universitário que tem uma bela casa de veraneio em algum lugar da Itália, e que, todos os anos, durante as férias de verão, ele seleciona um aluno doutorando para se hospedar em sua casa e poder dar andamento à obra em que esteja trabalhando e, em troca, o escolhido terá que trabalhar com o anfitrião por pelo menos uma hora por dia ajudando-o com seus papéis e questões burocráticas.

O escolhido atual é o americano Oliver, que tem 24 anos, e é descrito pelo Elio como sendo um cara bastante bonito, atraente e seguro de si. Assim que eles se veem pela primeira vez, um sentimento diferente surge no Elio o que, com o passar de alguns dias ele descobre que realmente está afim do Oliver.

Uma vez que Elio está seguro acerca do que sente em relação ao seu novo hospede, porém, inseguro se será correspondido, ele, discretamente começa a dar alguns sinais de seus sentimentos para Oliver, este, pretende fingir que não está reconhecendo os sinais. Eis que, em um determinado dia, Elio, já cansado dessa incerteza, decide expor o que sente, e é surpreendido ao descobrir que Oliver também compartilha do mesmo sentimento para com ele.

Consoante a isso, é iniciada uma grande aventura romântica entre eles, e Elio, pode, enfim, realizar todos os seus desejos sexuais junto com o seu grande amado Oliver. Daí, vamos acompanhando todo o desenrolar dessa relação, como a primeira vez deles, a intensidade, sensualidade, desejo e sexo que são exalados quando ambos estão juntos e, principalmente, os sentimentos.

Muita gente criticou o fato de um homem de 24 anos está se relacionando sexualmente com um adolescente de 17 anos, o que, aqui no Brasil, em alguns casos, se enquadraria como pedofilia, porém, vale a pena ressaltar que a história é ambientada na Itália nos anos 1980, lá, a idade de consentimento é de 14 anos e, o Elio consentiu — e queria muito — o ato sexual entre eles.

Na minha opinião, a melhor parte do livro é a forma como o autor narra, através da visão do jovem Elio, os sentimentos que ele sente em relação ao estar apaixonado por outra pessoa, assim como todo os sentimentos de confusão, aflição, angústia e paixão que ele sente. Toda essa parte é carregada de uma grande carga de sensibilidade, é bastante tocante e real a forma como isso é retratado no livro, sério, é muito lindo.

Já a parte que eu não gostei foi em relação à narrativa. Como já mencionei, o livro é narrado em primeira pessoa sob a visão do Elio, ou seja, tudo o que sabemos é o que o Elio sabe, só sabemos o que ele sente em sua totalidade, o que os outros estão sentindo ou passando só é de nosso conhecimento se o Elio souber. Com isso, o ritmo do livro também é o do Elio, de acordo com o tempo que ele levou e estimou para assimilar e fazer algumas coisas, isso, na minha opinião, fez a leitura do livro ficar bastante enfadonha, lenta, se arrastando, em algumas partes eu fiquei lendo no automático — e cabeça pensando em qual seria a próxima série que eu ia ver na Netflix — e eu tive que voltar e ler novamente para poder entender o que estava acontecendo.

Outra coisa que eu não gostei parcialmente foi a “utopia” que a história apresenta em alguns pontos, como o fato deles poderem viver o amor deles como se fosse um filme das Princesas da Disney, sem absolutamente nada para impedi-los ou contrariá-los (até as Princesas tem alguém para encher o saco delas). Entretanto, confesso que, diante da realidade que o Elio vivia — totalmente distinta da minha —, isso era muito possível de se acontecer. Afinal, a família do Elio tem um certo status social, financeiro e intelectual. A casa dele vivia cheia de intelectuais acadêmicos das mais variadas áreas, além de os pais o terem criado com bastante liberdade, fazendo deles uma família bastante à frente de seu tempo, mas isso não os deixava isentos de não intervir. Há uma parte bastante interessante que é o monólogo que o pai do Elio diz para ele, muito emocionante.

Ou, talvez o vilão não precise ser necessariamente uma pessoa, mas algo que ninguém tem controle sobre, como o Tempo. Fiquei pensando muito sobre isso no meu momento reflexão pós término de livro


Call Me By Your Name é um livro bastante sensível, com seus altos e baixos como toda história tem e retrata um período lindo e único na vida de uma pessoa, o primeiro amor. Então se você procura uma história de amor que se passa na Itália (André Aciman conseguiu deixar a Itália ainda mais linda e interessante com este livro), então, você terá grandes chances de gostar desse livro.


29 de janeiro de 2018

Resenha: Diário de um Banana, de Jeff Kinney.

© Elton Cardoso

Há anos que eu tinha vontade de ler algum livro da série Diário de um Banana, do cartunista americano Jeff Kinney, porém, só tive oportunidade agora graças ao Kindle Unlimited (sério, muito amorzinho pelo Kindle ❣).

Sempre achei interessante este tipo livro, principalmente a forma como é narrada a história, através das tais Graphic Novels – um nome gourmet dado aos romances que são narrados através de quadrinhos –, pois, além de chamar a atenção da criança (uma vez que esse é o público alvo) por ter imagens, também acaba incentivando elas a lerem, o que é incrivelmente bom.

Já conhecia a história do livro, pois tinha assistido há algum tempo ao filme que recebe o mesmo nome, e isso fez com que eu não aproveitasse muito bem a história.

Como sempre faço quando leio algum livro que não pertence à minha faixa etária, eu coloco a minha capa da idade correspondente e lá vou eu ler o livro em questão, nesse caso, eu vesti a capa do Elton com 10 anos de idade, e este mini Elton não achou o livro legal e, definitivamente, não foi pelo fato de já saber da história, mas sim pela maneira como o autor construiu o personagem principal, o Greg Hefley.

O Greg de fato é uma criança comum como qualquer outra da idade dele. Ele entra em várias enrascadas na tentativa de se destacar e conseguir novos amigos, mas quase sempre acaba se ferrando por isso, mas, na minha opinião, não da maneira “correta”. Por exemplo, teve várias situações em que o personagem entrou em enrascadas e no final, houve uma consequência, até aí, ok!

Entretanto, teve algumas situações que o Greg fazia algumas coisas, tipo ser sacana com o seu único amigo, e ele ganhou uma “recompensa” da mãe depois, embora, mais tarde, tenha tido outra consequência, mas que mesmo assim, não foi de conhecimento de seus pais, isso me fez ter a impressão de que o mini Elton de 10 anos poderia pensar algo como “hum, legal, vou ser escroto com meu ÚNICO amigo, porque eu vou ganhar uma recompensa, mesmo que depois eu perca um posto que eu não gostava tanto assim, então tá tudo bem”. Não, não está tudo bem! Posso está exagerando? Talvez, mas eu fiquei com essa sensação e isso me fez olhar o livro com outros olhos.
Desta forma, eu particularmente, prefiro a versão cinematográfica, pois a achei muito mais divertida e engraçada que a versão original literária da história.



31 de dezembro de 2016

Resenha: Para Todos os Garotos que Já Amei, de Jenny Han

Então, esse é um daqueles livros que o motivo principal que me fez lê-lo foi simplesmente a capa, nada mais. Assim, com essa capa prá lá de linda eu iniciei a leitura da mais nova trilogia de Jenny Han.

Aqui, conhecemos a Lara Jean, uma adolescente de 16 anos que tem mania de escrever cartas de termino de relacionamento quando ela decide que não quer mais estar apaixonada por um determinado garoto – mesmo ela nunca ter namorado nenhum dos garotos para quem escreve suas cartas –, nessas cartas ela não reprime seus sentimentos e expõe tudo, desde o motivo pelo qual ficou afim deles, até as coisas que eles fazem que mais irritam ela e as que ela mais gosta neles. Tudo isso nos é apresentado logo na introdução do livro.

Após ficarmos sabendo da rotina da família Covey – composta pela Lara Jean; sua irmã mais velha que está de mudança para a Escócia para cursar faculdade, Margot; a caçula, Katherine (Kitty, para os mais íntimos) e o pai delas, que é médico. Com a morte da mãe das meninas quando Lara Jean ainda era criança, a responsabilidade de ser “a madura” acabou ficando com a Margot. Ela toma conta de tudo, põe ordem na casa, mantem a rotina funcionando, faz o possível para não sobrecarregar o pai que trabalha muito, porém ela está de mudança, e o bastão de “irmã mais velha” irá passar para a irmã do meio, Lara Jean, que está com muito medo dessa grande mudança/responsabilidade.

Confesso que a Lara Jean me irritou muito durante boa parte do livro. No começo ela demonstra um comportamento muito irritante/mimado/infantil que me deu nos nervos. Tive que reunir coragem para continuar com a leitura.

Nossa personagem principal ver sua vida virar do avesso – bem clichê essa frase, neam! –, quando procura uma caixa de chapéu, que ganhou de presente de sua mãe, onde ela guarda os maiores segredos dela: suas cartas de despedida de amor. Porém, ela não encontra as cartas lá e é ativado o modo “já pode surtar porque o bicho vai pegar”. Ela procura essas cartas por toda a casa, mas não as encontra e decide ir dormir angustiada. No dia seguinte, primeiro dia de aula do ano letivo, ela estava na aula de educação física e de repente, um antigo amigo de infância dela se aproxima e questiona o recebimento de uma determinada carta escrita por ela. Isso mesmo, o pior pesadelo de Lara Jean aconteceu. Suas cartas foram enviadas. Um dos destinatários a recebeu e está ali na frente dela querendo explicações.

Ela conta o verdadeiro motivo das cartas, explica que foram enviadas para outros garotos, principalmente o garoto que ela realmente gosta, e para tentar amenizar a vergonha que ela vai passar, o Peter, o primeiro garoto que recebeu a carta, oferece uma proposta irrecusável que será benéfica para ambos: fingir que estão namorando. Com isso, eles poderiam causar ciúmes nas respectivas pessoas que eles estavam apaixonados.

Um triangulo amoroso muito perigoso acaba se formando, pois com o falso namoro, antigos sentimentos sobre o Peter vão ressurgindo aos poucos enquanto enfrenta o dilema por ter consciência que jamais poderá ficar com o garoto que ela está apaixonada – e o motivo não será revelado por questões de spoilers.

Como mencionei anteriormente, a protagonista deste livro me irritou muito com suas atitudes infantis – sim, eu sei que ela tem apenas 16 anos, mas mesmo assim, me irritou –, porém é bastante visível o amadurecimento dela ao longo da história, ao ponto que me fez gostar e torcer por ela.

Com capítulos bem curtos, a leitura flui com uma leveza e agilidade surpreendente, e eu, para variar, me senti cada vez mais tentado naquela história de “só mais um capítulo” já que eram tão pequenos.

Os últimos capítulos trazem uma grande reviravolta à história e a autora termina o livro de maneira que me agir tipo “COMO SE ATREVE TERMINAR O LIVRO DESSA FORMA, MUIÉ? CÊ TÁ LOKA?”. O que me fez ficar tentado em comprar logo o próximo livro da trilogia e já começar a ler, mas não o fiz, tive que me controlar e priorizar outras leituras que estavam pendentes, mas pretendo ler “PS: Ainda amo você” em breve e, é claro, assim que o fizer, terá resenha aqui no blog.

Enfim, apesar dos pormenores, fica a recomendação de Para todos os garotos que já amei, se você curte ou quer conhecer histórias românticas adolescente bem no clima daqueles filmes de Sessão da Tarde, sabe?


29 de dezembro de 2016

Resenha: Fangirl, de Rainbow Rowell

© Elton Cardoso
Fofo! É assim mesmo que eu inicio esta resenha. Após muuuuito tempo sem ler romances românticos, do nada me bateu uma vontade de ler algo do gênero, e desde o hype de Fangirl já adicionei ele à minha lista de leituras, e agora, com o Kindle, foi possível.

Como não tenho o hábito de mostrar spoilers nas minhas resenhas, farei um esforço maior aqui, pois, em Fangirl, acontecem várias histórias paralelas que estão ligadas de certo modo, e isso poderia estragar a experiência de leitura.

O livro começa com uma introdução de uma página da Wikipédia sobre a saga do Simon Snow – uma clara alusão aos livros do Harry Potter, visto que o Simon também é um bruxo, tem uma melhor amiga que é um gênio, um arqui-inimigo na escola e outro que anda perambulando e causando o terror pelo mundo bruxo e que ele terá que enfrentá-lo e destruí-lo mais tarde. Ah, eles também estudam em uma escola de bruxaria super Hogwarts vibes – que só por isso dá para prever que isto terá uma certa importância durante a história. De fato tem!

Após isso, aí sim, começa a história com a Cather – Cath, como ela prefere –, chegando no seu dormitório da faculdade no primeiro dia de aula, esta, já está super nervosa e desconfortável, pois sua irmã gêmea, Wren, se recusou a dividir o quarto da faculdade com ela após terem dividido, durante dezoito anos, o mesmo quarto em sua cidade natal, Omaha, pois a Wren declarou que queria independência, e a universidade seria uma ótima oportunidade para que cada uma das irmãs pudessem viver suas respectivas vidas.

Porém, a Cath não encontra sua colega de quarto, a Reagan, mas sim um garoto todo sorrisos, Levi, o que a deixa mais nervosa. Mais tarde ela descobriu que ele seria o namorado de sua roomate. Enquanto o Levi é um cara super simpático e vivia com um sorriso estampado na cara, a Reagan era o oposto: rude, levemente mal humorada, segura de si, direta, e com uns 5 namorados aos seus calcanhares. Isso intimidou ainda mais a Cath, pois ela é uma clássica nerd viciada nos livros do Simon Snow – tão viciada que ela escreve fanfictions sobre a saga, é super famosa na internet com o pseudônimo de Magicath, e tem milhares de fãs que adora a história alternativa que ela escreve sobre os personagens de Simon Snow (parte dessa fama se deu, pois em suas histórias, o Simon, que seria o Harry, é apaixonado e tem um romance com o Baz, que seria o Draco #DRARRY) –, além de ser bastante introspectiva, anti social, reservada e timida, decidiu cursar Inglês devido sua paixão pela literatura e por escrever. Além do que, ela enfrenta a saudade de casa, não está se adaptando à nova vida na faculdade, não consegue/quer fazer novos amigos entre outras situações – gente, super me identifiquei com a Cath, o primeiro ano dela na faculdade descreveu praticamente tudo o que eu passei no meu primeiro ano haha!.

Dentre os outros problemas que a Cath terá que enfrentar, irei citar apenas alguns por cima, sem me aprofundar: ela acaba se apaixonando pelo namorado de sua colega de quarto, tem uma relação conturbada com a mãe, briga com a irmã, se preocupa (com razão) com o pai, além de ter de lidar com tudo isso que está acontecendo em sua vida e não esquecer de continuar escrevendo suas fanfictions sobre o Simon Snow. Lembrando que eu citei beeeem por cima algumas das situações que acontecem durante o livro, que obviamente é bem mais desenvolvido pela autora.

Entretanto, o livro não é só maravilhas. Ele apresentou algumas coisas que eu, particularmente, não gostei, como o fato de, no final de TODO CAPÍTULO, ter um trecho dos livros do SS ou de uma das fanfics da Cath, sério, não entendi o motivo disso. Sem falar que ela ler uma de suas fanfiction para um determinado personagem, mesmo que isso tenha uma certa importância às cenas em que isso acontece, os trechos, dessa vez dentro do capítulo, eram muuuuuuuito longos, cansativos e chato – na boa, querida Rowell, eu estava pouco me lixando para as histórias do Snow, pois a história da Cath é beeem mais interessante –, isso fez com eu lesse essa fanfiction de uma maneira extremamente mecânica. nunca gostei de fanfics Outro problema que eu achei, e que não sei se o problema está em mim ou na narração da autora, foram os diálogos entre os personagens: teve várias vezes que não sabia quem era a fala de quem e lá ia eu voltar e reler tudo mais uma vez e mais vezes. Ainda sobre as coisinhas chatas presente no livro, está os devaneios da Cath. Gente, a narração seguia lá de boas no presente e do nada mudava para os devaneios da Cath e eu ficava “oi? Como vim parar aqui? O que aconteceu? Ah, não, pera, isso é um devaneio! Hey, voltou para a narração normal o/”.

Mas enfim, apesar disso, a história do livro é muito boa, tão boa que me fez tentar ignorar esses pequenos problemas e seguir com a leitura. A Rainbow Rowell (gente, ela tem nome de arco-íris <3) conseguiu criar todo aquele clima gostoso de filme comédia romântica que a gente senta para ver por acaso na Sessão da Tarde, se apaixona pela história, pelos personagens, pelo clima, e não sai do sofá enquanto o filme não acabar. Pois é, foi assim que me senti lendo Fangirl e super recomendo a leitura!



28 de dezembro de 2016

Resenha: Tá todo mundo mal, de Jout Jout

© Elton Cardoso

Hey! Há alguns anos o boom de livros escritos por youtubers explodiu no Brasil, e desde então, com certeza, você já deve ter ouvido as mais variadas opiniões sobre eles, e comigo não foi diferente, pessoas, às vezes, me perguntavam o que eu achava sobre esses livros e eu respondia baseado em meus pré conceitos, visto que eu não tinha lido nenhum livro sobre – obviamente, antes de eu dá minha opinião nenhum pouco importante eu avisa que “eu nunca li, MAS...”.

Apesar de vários youtubers que eu acompanho e gosto terem lançado livros, não me senti motivado a ler nenhum deles, até que a linda da Jout Jout lançou o dela e, enfim, eu li. E eu não gostei nenhum pouco da premissa do livro.

Hoje, eu consigo ver dois tipos de livros que são lançados por youtubers: 1) livros de memórias (a grande massa da rede social lança livros desse tipo, inclusive a Jout Jout) e; 2) livros de histórias inéditas que brotaram na cabeça deles em um momento de inspiração (adicione aqui a grande minoria dos livros de youtubers).

O livro da Jout Jout é um livro de memórias onde ela vai discorrer sobre as mais variadas crises que já teve na sua vida – inclusive, o título do livro foi inspirado em um vídeo dela que tem o mesmo nome e você pode ver aqui. Jout Jout escreve suas crises de uma maneira brilhante, como ela mesma diz: ela é criativa e escreve bem; isso é um fato provado no livro. Assim como em seus vídeos, ela aborda sobre temas super corriqueiros e banais presentes na vida de todos, assim como temas sérios, todos regados com sua bela opinião sobre o tema. Achei praticamente impossível ler o livro sem imaginar a voz dela e todos os gestos característicos que há anos vemos em seu canal. Porém, depois de ler algumas crises, cai a ficha: o livro é exatamente a mesma coisa que ela faz no YouTube, só que aproximadamente R$ 30,00 mais caro.

Isso aí, qual é o sentido de cobrar por algo que ela oferece de graça em outra plataforma? Eu adoro a Jout Jout, mas definitivamente, eu prefiro passar horas VENDO os vídeos dela no YouTube do que LENDO os vídeos dela em um livro. Suas crises, são quase um roteiro de seus vídeos. Novamente, são muito bem escritas e humoradas, mas e o diferencial, cadê?

Também entendo que as editoras precisam vender muitos livros – e isso, a Jout Jout vai fazer muito bem, sem dúvidas –, assim como entendo que o dinheiro arrecado com os livros de youtubers, além de outras coisas, será usado para custear o lançamento daquele autor novo com um livro promissor, mas que ninguém nunca ouviu falar dele e exigirá muito mais da editora para promove-lo.

Estou dizendo que esses tipos de livros são inúteis? Jamais. Como estudante de Literatura, tenho total noção do poder de qualquer livro. Tenho noção que livros como o da Jout Jout, Kéfera, Felipe Neto e outros, tem um alcance imenso e atingem, em boa parte, o público adolescente, então, se um desses jovens que não tinham o hábito de ler, leem algum livro de youtuber, gostam do livro, adquirem o gosto pela leitura, passam a ler constantemente, chegam a conhecer outros títulos/autores/gêneros, como é que um livro desse pode ser considerado inútil? (já tô imaginando os defensores dos “bons livros” e da boa moral e costumes da Literatura se doendo com esse meu comentário).

Mas estou dizendo que acho injusto cobrar por algo que é oferecido de graça. Tipo, qual a diferença de ter um desses livros na minha estante ou os vídeos do canal do autor salvos no meu PC?

Enfim, me diverti sim, lendo as crises dela, mas continuarei vendo os vídeos da Jout Jout em seu maravilhoso canal e admirando o trabalho que ela faz por lá.



15 de dezembro de 2016

Resenha: Every Day, de David Levithan

© Elton Cardoso
Every Day (Todo Dia, na versão brasileira publicada pela Galera Record), é um livro escrito pelo norte americano David Levithan, que além deste livro que irei resenhar, ele também escreveu livros como Garoto encontra garoto, e Will e Will: um nome, um destino (cujo coautor é o John Green) todos esses livros publicados pela Galera Record, aqui no Brasil.

Quando descobri este livro há alguns anos, instantaneamente me interessei em lê-lo e logo o adicionei à minha lista de leituras do Skoob. E vendo um vídeo-resenha dele, em que a pessoa (não me lembro quem) optou por ler a versão original em inglês, por causa da proposta do livro – irei explicar mais a frente –, isso me fez ficar ainda mais interessado em lê-lo; porém, depois de anos, só pude ler agora.

A história narra a vida de uma personagem bem peculiar, que se chama A – sim, somente a letra “a” (a partir de agora, toda vez que o “a” vier sublinhado, estarei me referindo a personagem, tá?). E, diferente das outras pessoas, A é tipo uma “entidade”, não tem corpo próprio, assim, todo dia, elx acorda em um corpo diferente de uma pessoa que tem a mesma idade que elx, 16 anos. A pode não ter um corpo próprio, mas tem uma personalidade, vontade, desejos e sonhos próprios. A também não tem uma sexualidade definida, ou seja, não se vê nem como garoto, nem como garota: há dias que ele está se sentindo mais menino e há dias que ele se sente mais menina. Por esta característica da personagem, vou usar a neutralidade binária, ou seja, o “x” todas as vezes que tiver que usar algum artigo que poderia atribuir algum gênero específico à personagem, por esta ser, ao meu ver, gênero fluido. É aqui que entra o motivo de eu ter optado por ler o livro em inglês: o artigo definido que precede o nome próprio (the) é neutro, e quem tem um conhecimento bem básico da Língua Inglesa sabe que the significa o, a, os, as. Assim, The A (O/A A). Deu para entender? A personagem pode ser tanto ele ou ela, os dois ou nenhum, você, leitor, é quem escolhe isso.

Infelizmente, essa característica gênero fluido do artigo pessoal não acontece na Língua Portuguesa: todas as coisas em nossa língua materna são masculinas ou femininas, portanto, a personagem A, na versão brasileira da obra, foi masculinizada e ele é um garoto (na versão brasileira não é possível essa “opção” que o autor, David Levithan, propôs em seu livro).

Depois dessa introdução, vamos ao enredo da história. O livro começa com A no corpo de um garoto chamado Justin, que tem uma personalidade um tanto difícil, e como A sempre faz o possível de seguir à risca a vida da pessoa em que está habitando, elx se arruma para ir à escola, mas como parte da rotina do Justin, elx tem que parar para pegar a namorada dele, Rhiannon, que logo de cara chama muito a atenção de A – como elx habita corpos/vidas de outras pessoas há 16 anos, ele tem acesso às lembranças/memórias das pessoas que está habitando, assim como consegue interpretar a linguagem corporal delas.

A logo percebe que a Rihannon está em um relacionamento abusivo, e o Justin é o principal causador disso. Ele deixa sua namorada muito insegura, e entre outras coisas, ele não a trata bem. O dia vai passando e A decide mudar a rotina do Justin e convida a Rihannon para ir à praia. A garota estranha a reação do namorado – lembre-se: é A que está habitando o corpo do Justin –, mas vai mesmo assim, e A faz com que eles tivessem uma noite inesquecível. Entretanto, isso faz com que A terminasse o dia completamente apaixonado pela Rihannon. Mas como elx vai fazer para ficar com a Rihannon se elx passa apenas 24 horas no corpo de uma pessoa? É isso que A tenta descobrir todos os dias desde que conheceu a Rihannon.

Elx encontra várias oportunidades de reencontrar sua amada e conversar com ela nos mais variados corpos que vai habitando, porém, em um dia que estava habitando o corpo de um garoto, Nathan, e não consegue voltar para a cidade dele antes da meia-noite (horário em que a transição de corpo acontece), A tem que tomar uma decisão em relação a isso que vai interferir em toda a história do livro.

Outra característica muito interessante do livro: tem dias em que A acorda no corpo de um garoto, garota, hétero, gay, lésbica, bi, trans, branco, negro, latino, rico ou pobre. Aos olhos do narrador, nós vemos um pouco sobre um dia da vida de várias dessas pessoas e assim, acaba gerando uma reflexão muito interessante. Digamos que você teve a oportunidade de ler em inglês e optou por conceber A como sendo uma garota hétero, porém, A acorda no corpo de uma garota lésbica que tem namorada, e tem que beijá-la. E aí? Como fica esse dilema? Afinal, você tinha concebido que sua personagem seria hétero mas de repente ela está beijando outra garota na maior naturalidade. Isso faz dela hétero/lésbica/bi? Qual rótulo a ser escolhido? A resposta: NENHUM.

By the way, um dos momentos mais tocantes da história é quando A está no corpo de uma pessoa transexual, e o autor consegue narrar com tanta sensibilidade como é que uma pessoa trans se sente que é praticamente impossível não pôr a empatia em prática.

Essa é uma das propostas do livro: gerar esse tipo de reflexão.  E isso é muito bom, pois, sabemos que, felizmente, existem pessoas que, de fato, quando chegou nesse “dilema” não viu nenhum problema nisso, porque conseguem ver as demais como indivíduos e não como um rótulo. Fazer o leitor refletir sobre identidade de sexo e de gênero de uma maneira muito simples e direta, além de abordar temas sobre depressão, obesidade, baixa autoestima, opressão dos pais entre outros.

Além de nos fazer querer saber o que acontece com a vida das pessoas que A habita, pois elx habita algumas vidas bem interessantes e tem que deixá-las, muitas vezes, em momentos de clímax, o autor nos faz refletir sobre temas ainda não muito debatidos, mas que precisam ser debatidos, sem falar que David Levithan nos leva a um final surpreendente e emocionante que, para variar, me arrancou algumas lágrimas. Every Day, sem sobras de dúvidas, é um livro que recomendo a todos, além de bem escrito, o autor nos presenteia com uma bela reflexão sobre temas contemporâneos, ainda não muito abordados devido a todos os preconceitos em torno do tema, porém igualmente necessários e importantes o suficiente para serem debatidos e explanados em sua totalidade.




PS: Pesquisei sobre o gênero fluido e também tive ajuda de um amigo que me explicou com a máxima riqueza de detalhes que ele podia sobre o assunto, pois, no momento em que li este livro, acredito que a personagem principal pode ser considerada gênero fluido, porém, caso eu tenha usado este ou quaisquer outros termos/nomenclaturas/afins de maneira errônea, POR FAVOR, notifique-me, explique-me onde e porquê eu errei, adorarei aprender e, principalmente, fazer a possível correção neste post.



15 de setembro de 2016

Resenha: O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs

© Elton Cardoso
O Orfanado da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, escrito por Ransom Riggs, promete trazer toda uma atmosfera meio dark à história, em parte pelo belíssimo trabalho visual, tanto da capa, quanto do livro como um todo, mas ao contrário do que muitos podem pensar, este não é um livro de terror ou de suspense, mas sim uma história de fantasia, bem na vibes do Neil Gaiman e, é claro, do Tim Burton – que além de ser o diretor da adaptação cinematográfica que recebe o mesmo nome, é um fã assumido do livro. Ou seja, se você conhece algum dos trabalhos de Gaiman ou Burton, você já sabe como funciona a atmosfera dessas histórias, certo?

Então, no livro, você encontrará personagens bizarros com habilidades igualmente bizarras, porém cativantes, e uma narrativa que não tem o propósito de causar medo, ou sequer um suspense, mas sim, aquela atmosfera gostosa de uma história que beira o gótico.

O livro começa narrando a vida de Jacob “Jake” Portman, um adolescente de 16 anos, abastardo, que trabalha obrigado em uma rede de supermercados de sua família e com apenas um único e melhor amigo. Além de seu melhor amigo, o Jake se dá muito bem com seu avô paterno Abe Portman, ou Vovô Portman, com ele carinhosamente, chama.

Seu avô tem o hábito de lhe contar histórias sobre o seu passado, principalmente da infância, onde, judeu e refugiado da Segunda Guerra Mundial, encontra abrigo no Orfanato da Srta Peregrine, onde vivia com crianças que tinham dons especiais, os Peculiares – que como os X-Men, tem seus poderes devido a uma mutação de um gene recessivo – e juntos viveram altas aventuras, mas que teve que ser interrompida pois o Abe decidiu ir lutar na guerra, e assim deixou o orfanato de vez. Durante longos anos, o Jake acreditou em todas essas histórias, principalmente porque tinham fotografias que provavam que essas crianças de fato existiam, mas, com o passar dos anos, o Jake passou a ficar incrédulo e até a acreditar que o avô estava perdendo a razão.

Eis, que o Jake recebe uma ligação de ser avô que está em surto, fazendo com ele fosse ao encontro de seu avô. Só que Jake chega tarde demais e encontra seu avô morto – não se preocupe, isso não é um spoiller, já acontece no comecinho do livro – e isso leva a história a seu enredo principal, pois o Jake decide visitar a ilha onde seu avô morava quando criança afim de descobrir a verdadeira história da vida de seu amado avô. E ele de fato encontra informações que vão interferir em definitivo na sua vida.

Não irei me alongar mais, pois quaisquer informações será um spoiller, e este blog é spoiler free, neam?!

Agora, sobre alguns pontos do livro. Com mais de 300 páginas, o livro é dividido em 11 capítulos, alguns super longos, o que causa um certo cansaço, principalmente para a maioria que prefere ler por capítulos, houve momentos em que fica contando loucamente as páginas para saber se estava perto de terminar ou não, pois até que a história atinja seu clímax o autor vai nos contando toda uma necessária introdução, sem falar no penúltimo capítulo que é simplesmente o maior de todos.

Já sobre as fotografias presentes no livro – se você teve a oportunidade de folhear o livro ou já viu nas redes sociais, com certeza já sabe da existência delas – a princípio, pensei que elas estavam ali apenas para “encher linguiça”, mas não estão. O Ransom Riggs usou sabiamente duas artes igualmente lindas, para contar sua história, a literatura e a fotografia, isso deu resultado a toda uma experiência diferente à leitura, pois as fotografias foram uma das principais responsáveis por darem esse ar mais sombrio/gótico/vampiro/roqueiro ao livro, fotografias essas, verídicas (com adição de possíveis manipulações), bem antigas e esquisitas, sério, tem algumas fotografias que são bem bem bem estranhas e creepy.


Terminei o livro com a sensação de “tá faltando algo aqui”, e ainda sem saber se realmente irei ler sua continuação, Cidade dos Etéreos, recomendo a leitura dele sim. 


19 de agosto de 2016

Resenha: Harry Potter and the Cursed Child, de J.K. Rowling +

© Elton Cardoso
Eita! Vamos lá tentar resenhar Harry Potter. Como alguns já devem saber, Cursed Child é uma história original criada pela J.K. Rowling, com o objetivo de ser contada em uma peça de teatro – nesse caso, duas peças, visto que temos Parte 1 e Parte 2 –, e o responsável por transformar essa história original em uma linguagem teatral foi o Jack Thorne, que escreveu o roteiro, e o John Tiffany, diretor da peça. Assim, os três entram como coautores da história, mesmo que os direitos autorais continuem pertencendo somente à J.K. Rowling. A peça é exibida em Londres, mas a autora lançou o roteiro da mesma em formato de livro. Ou seja, Cursed Child é uma peça de teatro e deve ser vista como tal, não como um romance ou um filme, uma PEÇA. Como Potterhead da velha guarda, tentarei contar a história sem spoiler (#KeepTheSecrets), para não estragar a experiência de leitura daqueles que só poderão ler a versão brasileira do roteiro. E optei por escrever esta resenha depois de alguns dias após ter terminado de ler e assim poder colocar todos os pensamentos em ordem e não escrever com toda a euforia que eu estava assim que terminei a história.


© Elton Cardoso
© Elton Cardoso
A história começa no epilogo que já conhecemos desde o lançamento de Relíquias da Morte e, temporalmente, no ano de 2017, com o Harry adulto levando seus filhos para a estação 9 ¾ em King’s Cross, e o Albus Severus, seu filho do meio, enfrentando todo o nervosismo do primeiro dia de aula e com medo de ir para Sonserina. Junto com sua prima Rose, eles embarcam no trem rumo à Hogwarts, onde acabam conhecendo o Scorpius Malfoy, filho do Draco. Assim como aconteceu com o Harry e o Ron, lá em Pedra Filosofal, rola uma amizade instantânea aqui entre os dois – isso já não é mais um spoiler, pois com certeza, vocês já devem ter visto alguma foto da peça e deduzido isso, se não, me desculpa –, e essa amizade vai amadurecendo ainda mais em Hogwarts.

© Elton Cardoso
Depois de um pulo temporal de três anos – aqui já estamos em 2020 –, os meninos estão em seu quarto ano na Escola de Magia e Bruxaria, e ambos enfrentam problemas em suas respectivas famílias.

© Elton Cardoso
Albus, sente o peso de ser um Potter em seus ombros, ele sente a responsabilidade de seguir os grandes feitos do pai e de se provar para o mundo, e acaba culpando o Harry por ter esse legado que ele nunca desejou, em contrapartida, o Harry está atolado de trabalho no Ministério da Magia e por isso, acaba não dando a devida “atenção” ao filho, isso acaba desestruturando a relação pai-filho deles – as cenas mais emocionantes, sem sombras de dúvidas, são essas do Harry com o Albus, é de partir o coração. Já o Scorpius, desde que nasceu, sofre bullying, pois os pais dele tinham problemas para ter filhos e surgiu o boato de que o Draco voltou no tempo para fazer com que a mulher dele engravidasse do Lord Voldemort e assim, poder ter o Scorpius – isso também não é spoiler, pois é revelado bem no começo da história. Com todos esses problemas, a amizade dos meninos vai ficando mais forte.

© Elton Cardoso
Eis que o Albus ouve escondido uma conversa de seu pai com o pai do Cedrico Diggory acerca de um problema, e ele decide que vai resolver este problema, que de fato, não tem nada a ver com ele, como prova de mostrar que ele é útil. Assim ele convence o Scorpius para ajuda-lo, e ambos vão pedir ajuda da prima do Cedrico, que o Albus acabou conhecendo enquanto entreouvia a conversa, e juntos, eles acabam entrando na história que é o plot principal de Cursed Child e isso traz várias reviravoltas para história.

© Elton Cardoso
Como já mencionei, Harry Potter and the Cursed Child é uma peça de teatro dividido em duas partes, cada parte com dois atos cada, assim, um total de quatro atos na história. Eu, particularmente, comprei a história até o ato três, apesar de vários furos presentes, mas quando chegou no ato quatro a história muda de rumo de uma maneira tão drástica que os acontecimentos ali presentes me fizeram ter uma única reação: WHAT THE FUCK IS GOING ON? Os acontecimentos do ato quatro, para mim, como fã, são simplesmente sem sentido, inclusive as explicações desses fatos, NÃO FAZ SENTIDO. Isso, para mim, foi a pior parte da história, certos personagens vão caminhando durante toda a história para um rumo que seria lindo, mas de repente, de uma forma brusca isso é mudado – e aqui estou falando de um dos ships mais polêmicos ever (que eu continuarei shipando mesmo assim e fuck it all). Outra coisa que para mim não faz o menor sentido é a tal “criança amaldiçoada”, apenas, nem irei comentar mais sobre.

© Elton Cardoso
Enfim, a oitava história acabou de uma maneira um tanto decepcionante, mas, com todas as falhas, é uma história que merece, sim, ser lida, pois nela há vários elementos que todo fã adoraria conhecer mais profundamente. Foi maravilhoso conhecer mais sobre o Albus e o Scorpius. Foi impagável saber como os personagens que amamos estão na vida adulta – e só posso dizer que dá MUITO ORGULHO dos adultos que o Harry, Ron e Hermione se tornaram. Foi incrível, todas as referências às outras sete histórias de Harry Potter. Foi uma sensação indescritível estar de volta ao Mundo Bruxo, onde eu passei anos lá, e ao voltar, saber que está tudo bem. Foi maravilhoso se apaixonar pelos personagens que conhecemos “só de vista” lá no epílogo. Foi inexplicável ver todo o fandom de volta à ativa durante meses falando sobre Cursed Child. Foi uma experiência única poder ler a oitava história ao mesmo tempo em que boa parte do mundo também estava lendo. Nostalgia pura, e só por isso, vale sim, a pena, ir conhecer a história de Cursed Child, que, apesar de já saber da história pela leitura do roteiro, isso não acabou nem um pouco, a vontade de ver a peça, pois, tem elementos que somente é possível vivenciar estando lá no teatro sentado e vendo toda a história com os atores a encenando.

Enfim, vai lá e se dê o direito de conhecer Harry Potter and the Cursed Child, pode ser muito surpreendente ou frustrante.