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30 de março de 2018

Resenha: Turtles all the way down, de John Green

© Elton Cardoso

Com o boom que foi o lançamento do livro “A culpa é das estrelas” (resenha aqui), do americano John Green e a adaptação de seus livros para as telas de cinema, praticamente todo mundo já deve ter ouvido falar desse incrível autor.

Mas a fama mundial de John Green o fez entrar em uma espécie de bloqueio criativo que durou anos, fazendo com que ele chegasse a anunciar que talvez não escrevesse mais livros depois de ACEDE, o que me atingiu como um verdadeiro baque, pois Green é um dos meus autores favoritos EVER.

Porém, no início de 2017, ele anunciou que finalmente curou o bloqueio criativo e que iria lançar ainda neste mesmo ano, seu novo livro e, eis que, depois de cinco anos, ele lançou “Turtles all the way down”, lançado simultaneamente aqui no Brasil com o título de “Tartarugas até lá embaixo”.

Rapidamente, comprei o livro em pré-venda – como é um dos meus objetivos ler, sempre que possível, em inglês para manter a fluência na língua, optei pela versão original em e-book –, e comecei a ler nos intervalos de um conturbado final de período da faculdade. Logo no primeiro capítulo foi possível reconhecer a gostosa escrita do John Green.

TATWD tem como protagonista a Aza Holmes, uma atípica adolescente (como todos os protagonistas do John Green) que ainda está no Ensino Médio e, junto com sua melhor amiga, Daisy (famosa na interwebs por escrever fanfics de Star Wars), decidem investigar o caso de um sumiço de um empresário bastante rico de sua cidade em troca de uma recompensa em dinheiro.

Como de praxe, o autor, em seus livros, sempre procura trazer luz à problemas que existem, mas que não são amplamente discutidos, assim como ter nerds como seus protagonistas e, através deles, desenvolver sua crítica.

Em livros anteriores, já foi abordado questões sobre câncer, bullying, sexualidade, além dos mais variados problemas que pessoas consideradas nerds enfrentam por terem uma personalidade que não se encaixa nos padrões de nossa sociedade. Isso é o que eu mais adoro nos livros do Jão Verde: ele mostra que os underdogs são tão legais quanto os populares, por exemplo.

Em “Turtles all the way down”, através da Aza, será abordado questões acerca da saúde mental e Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC), que são enfrentados pela protagonista que tem medo compulsivo de contrair uma infecção muito rara que poderá matá-la.

Graças ao TOC, a Aza acabou desenvolvendo outras doenças, como a crise de pânico e crise de ansiedade, e essas doenças mentais são brilhantemente retratadas durante todo o livro, assim como as metáforas que o autor utiliza para representar como uma pessoa que está em uma crise de ansiedade se sente (me senti bastante representado nesse momento, e Green soube representar muito bem essas crises de uma forma muito legal).

Admiro muito autores que sabem e utilizam a metáfora – minha figura de linguagem preferida –, pois, na minha opinião, é possível dizer, através da metáfora, de uma forma bem simples, algo supercomplexo e se encaixar na visão de mundo de qualquer pessoa, sem diminuir toda a complexidade e importância deste assunto.

John Green optou por trabalhar a saúde mental em seu livro pois, ele tem TOC e sofre de ansiedade, assim como sua personagem e, ao ler vários livros sobre o assunto, ele nunca encontrou um que de fato descrevesse como ele se sentia, então, seguindo a máxima “se achando ruim, faça você mesmo”, ele foi lá e fez, e fez de uma forma incrível. Já deu para perceber o quanto eu adorei esse livro?

Enfim, paralelo a isso, Aza e Daisy decidem investigar o caso do desaparecimento que, por coincidência, é o pai de um antigo amigo de infância da Aza, o Davis, por quem tinha um crush antigamente. Com a ajuda de alguns amigos, a história vai sendo narrada de uma forma bem fluída.

O autor tem a habilidade de criar personagem que são bastante cativantes, a Daisy tem uma personalidade única, é bastante engraçada e desbocada, e sua história é bastante interessante. Já o Davis consegue ser um garoto fofo, inteligente, mas também frágil, gostei da forma como Green demonstra essa fragilidade em uma personagem masculina, mesmo que adolescente – que não é tão comum assim – de forma totalmente humana que nos faz lembrar que os homens não estão imunes a sentimentos que são inerentes à raça humana, por mais que a sociedade, até hoje, diga-nos o contrário.

Desta forma, John Green nos faz praticar a empatia. Não tem como não sentir a dor de suas personagens, não se identificar com eles e torcer por eles.

Turtles all the way down é um livro um pouco denso por abordar problemas sérios como a saúde mental de uma forma bem direta, mas que é intercalado com ótimas cenas de humor, além de ser possível aprender, através dos conhecimentos e gostos peculiares de suas personagens, sobre temas extremamente aleatórios – mais uma característica marcante do autor que está presente em seus livros.

Assim, recomendo este livro para todos aqueles que tem interesse em conhecer mais e ter uma noção, mesmo que superficial, sobre como é que uma pessoa que tem TOC, crise de pânico e ansiedade se sente, uma vez que esse tema é bastante ignorado e banalizado em nossa sociedade.




17 de julho de 2016

Resenha: O Teorema Katherine, de John Green

© Elton Cardoso
Como é de praxe nos livros do John Green, em O Teorema Katherine, temos um nerd como personagem principal. Dessa vez, acompanhamos o Colin Singleton, um adolescente prodígio que é obcecado em namorar Katherines – todas escritas exatamente desse jeito –, e em levar um pé na bunda de todas elas. Após a 19ª Katherine terminar com ele e ficar um tempo “curtindo”  a depressão-pós-término-de-namoro, ele decide junto com Hassan, seu melhor amigo – islâmico, gordo e muuuuito engraçado –, viajar mundo afora sem um destino certo em mente. 

No meio da viagem, o Colin decide parar e ir visitar o túmulo do arquiduque Francisco Ferdinando, numa cidade no interior do Tenessee, Gutshot. Lá, ele conhece a Lyndsey Wells, sua guia turística – que após o Colin sofrer um acidente, viram amigos, e isso não é spoiller –, e logo depois os amigos dela. Ao conhecerem a mãe de Lyndsey, Holis, que reconhece o Colin de um programa nada popular de perguntas e respostas da TV – algo semelhante ao Jogo do Milhão –, e os convida para trabalhar para ela durante aquele verão. Assim, Colin e Hassan, hospedam-se na casa – também conhecida como Mansão cor-de-rosa –, de Holis e Lyndsey.

Até praticamente metade do livro, o Colin mostra-se muito chato, e às vezes, insuportável. Ele faz o tipo: “sou muito inteligente, eu sei disso, todo mundo sabe disso”. Seus diálogos, são quase sempre monótonos. Mas quando a história chega quase ao ponto de chatice extrema, o Green colocava o Hassan em cena, o que me gerava muitas gargalhadas – sério, o Hassan é muito engraçado! –, e aparecia aquela boa sensação de que vale a pena ler o livro até o fim, mesmo que o protagonista pareça dizer o contrário. Porém, a amizade dele com a Lyndsey fazem as coisas mudarem.

O Colin, meio que vai deixando de ser tão chato – não estou tentando convencer ninguém de que EU achei o personagem chato, o próprio autor, no meio de sua narração, afirma isso –, e nós, como leitores passamos a conhecer melhor o personagem e seus motivos que o fazem agir dessa maneira – se você, assim como eu, afirmar ter um lado nerd, provavelmente encontrará um pouco de si no Colin, ou não.

Paralelo a isso, o Colin vai desenvolvendo um teorema que prevê, através da matemática, quem, entre um casal, irá terminar com quem e a duração desse relacionamento, na esperança que ele saiba quando suas futuras Katherines irão terminar com ele.

No meio dessa comédia – cuidado ao ler em locais públicos, pois terá momentos em que será difícil segurar o riso, e a menos que você seja uma pessoa extremamente mal humorada, leia-o onde quiser oras –, o John Green nos apresenta vários temas e situações presentes na adolescência como o bullying, insegurança, romances juvenis, isolamento, preconceito, aceitação, entre outros. Seus personagens são bem construídos e detalhados, dando a sensação de que de fato eles existem – essa característica humanista eu aprecio muito nos livros. E sua narração flui bem e de uma maneira bem espontânea.  

Aliás, já resenhei, os livros A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel, ambos do John Green.


29 de maio de 2014

Resenha: A Culpa é das Estrelas, de John Green


Aproveitando que o lançamento do filme A Culpa é das Estrelas será lançado no próximo dia 5 de junho (já viu os trailers?) eu decidi postar a minha opinião sobre o livro que é um dos mais falados dos últimos anos (?). E atualizar o blog que há semanas está abandonado hehehe. Vamos a resenha!

A culpa é das estrelas narra a história de Hazel Grace, uma adolescente de 16 anos que há 3 anos descobriu que que é uma paciente em fase terminal. Assim, logo no começo, entramos em um mundo onde o câncer faz parte do cotidiano da Hazel e de todos que com ela convive.

No grupo de apoio a criança com câncer – no qual a nossa protagonista frequenta, às vezes, mesmo contra a própria vontade –, ela conhece o Augustus Waters, um garoto de 17 anos, também com câncer, que rapidamente chama sua atenção por, ele ficar encarando ela sem parar assim que ela entra na sala e, por ser incrivelmente bonito e sexy.


Ao terminar a reunião do grupo de apoio, o Gus se aproxima da Hazel por intermédio do Isaac, um amigo que eles têm em comum, e a convida para ir à sua casa assistir ao seu filme favorito. Ao chegarem à casa do Gus, o mesmo mostra a sua convidada os seus passatempos favoritos, vídeo game e o livro que originou o seu jogo favorito e, recomenda que ela leia-o, em troca, a Hazel também diz qual é o seu livro favorito o “Uma aflição imperial” – que conta a história de uma adolescente que também tem câncer, e a narração do livro acaba no meio de uma frase sem deixar um final para os personagens. As semelhanças na história do livro com a vida da Hazel são muito grandes, o que a faz favoritar o livro e levá-lo para onde ela for. Ambos leem os livros que lhes foram recomendados e, ambos adoraram. Porém, o Augustus, sente praticamente as mesmas coisas que a Hazel ao ler o livro, e fica perplexo pelo modo como o livro acaba, o que gera um debate a cerca do livro. Nisso, a Hazel diz que já tentou entrar em contato com o autor, mas ele a ignora a anos, o que a deixa frustrada, pois teme morrer antes de saber os devidos finais de seus personagens favoritos. Assim, o Gus usa toda sua esperteza e consegue o e-mail da assistente do autor de “Uma aflição imperial”, que por intermédio dela, o autor mantém contato regular com o Gus. No meio dessas trocas de e-mails, o autor diz que, se por acaso, eles forem a Amsterdam, poderia visitá-lo, e consecutivamente, tirar suas dúvidas acerca do livro. O que faz a Hazel surtar de emoção e logo em seguida, de frustração, pois não tem condições financeiras de ir visitá-lo.  Novamente, o Augustus, usa sua esperteza e usa o seu pedido – que os Gênios concedem às crianças com câncer –, e consegue a viagem. Chegando lá, eles têm uma grande decepção com o autor, descobrem coisas novas, vivem momentos inesquecíveis e vem à tona descobertas que geram uma reviravolta na história.

O John Green, tem uma narração muito gostosa e envolvente, no qual a leitura flui com naturalidade – não gostei do modo como a Intrínseca usou o itálico, que ora destacava palavras que não pertencem ao nosso vocabulário, outrora dava ênfase, isso gerou uma certa confusão, mas nada que estrague a leitura. É abordado um tema polêmico, como o câncer, mas o Green mantém uma leveza com muita realidade em sua narrativa. Este é aquele tipo de livro que você rir muito, depois chora um pouquinho, voltar a rir de novo e termina em uma torrente de lágrimas!



28 de abril de 2014

A Culpa é das Estrelas: novo trailer!

O livro A Culpa é das Estrelas é um best-seller escrito por Jonh Green (em breve, resenha do livro) que virou um fenômeno mundial e vai ganhar uma adaptação para o cinema que estreia dia 5 de junho deste ano, e conta a história de Hazel Grace, uma adolescente com câncer que conhece o Augustus "Gus" Waters no Centro de Apoio aos jovens com câncer, e juntos vivem várias experiências (chega de resumo, aguardem a resenha!)
Hoje foi liberado mais um trailer inédito, e já dá para ter a sensação de que o filme promete ser muito bom e arrancar mais lágrimas de que já conhece a história, e sem falar na trilha sonora que também promete ser muito boa.
O trailer abaixo, com legendas, foi o primeiro a ser lançado meses atrás:



E este, foi último trailer (infelizmente, sem legendas), lançado hoje, tem algumas cenas novas, e é bem similar ao anterior, mas já dá para matar um pouco a curiosidade:



Esta semana sai a resenha com a minha opinião sobre o livro! :)


19 de abril de 2014

Resenha: Cidades de Papel - John Green


Cidades de Papel é o terceiro livro de John Green, e nele o autor nos apresenta uma história bem misteriosa. Quentin, é um nerd – como é de praxe nos livros de Green –, e desde criança ele é apaixonado por sua vizinha, Margo, quando crianças, eles eram muito amigos, mas após presenciarem um homem morto no parque de seu bairro, eles meio que foram se distanciando naturalmente, até que um dia, no último ano do Ensino Médio, Margo, pula a janela do quarto do Q, e o convida para uma aventura que ele aceita com um pouco de desconfiança. Assim, a Margo logo diz que seu plano é se vingar de algumas pessoas que a decepcionaram, e juntos, eles tem uma noite cheias de aventuras e o Q faz coisas até então imagináveis. 

No dia seguinte, o Quentin – esperançoso de que eles voltem a ser amigos –, vai para a escola, mas ao chegar lá não encontra a Margo, e deduz que ela deve estar descansando, devido a noite agita, porém, ele se engana, a Margo realmente fugiu, sem avisar a ninguém, ou por algum motivo. 

Quando chega em casa, ele olha da janela de seu quarto para o quarto de Margo Roth Spielgman, e ver algo que pode ser uma pista deixada por ela, e ao ir ao quarto dela, essa hipótese se confirma, e o leva a encontrar uma série de pistas deixadas exclusivamente para ele. Seguindo essas pistas, o Q passa a procura-la e a fazer coisas que ele nunca supôs fazer.

A história é envolvente e o autor consegue manter o suspense que a história sugere, mas a obsessão do Quentin em encontrar sua amada na esperança de que, enfim, fiquem juntos, chega a ser um tanto monótona, mas não a ponto de me fazer abandonar o livro. Os personagens secundários são muito incríveis e engraçados, as melhores cenas do livro são por conta deles, é praticamente impossível não se identificar com eles, e desejar que criem vida e sejam nossos amigos na vida real.

A edição do livro, feita pela editora Intrínseca, é muito boa, com uma ótima diagramação e as páginas são amareladas.

Assim como os demais livros de John Green, Cidades de Papel tem uma história legal, gera boas gargalhadas e com uma narração simples, direta e objetiva, que faz com que a leitura flua muito bem.