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3 de abril de 2018

Resenha: Thirteen Reasons Why, de Jay Asher

Já começo está resenha dizendo que o motivo pelo qual eu me interessei em ler o livro foi por pura influência da série de TV produzida pela Netflix que foi lançada no ano passado.

Assim como a série causou um verdadeiro rebuliço nas redes sociais na época em que foi lançada, eu assisti a alguns episódios e a história realmente me prendeu, assim, eu assisti a série enquanto lia (e ouvia) o livro simultaneamente.

E CARAMBA, MEU ODIM! Hoje fico me perguntando como consegui lidar com tanta informação densa e pesada que a história carrega, mas digo que não foi fácil!

A história, de autoria do americano Jay Asher, é narrada em primeira pessoa e temos dois personagens principais, o Clay Jenson e a Hannah Baker. O livro inicia com o Clay recebendo uma caixa com algumas fitas cassetes e, ao ouvi-las, ele descobre que pertenciam à Hannah, sua amiga que há pouco tempo se suicidou – isso não é spoiler, já aparece bem no começo do primeiro capítulo – e que em cada lado das fitas, 13 lados ao todo, é dedicado à uma pessoa que a Hannah considerava como um dos motivos que a levaram a cometer suicídio, dessa forma, as fitas deveriam ser entregues a cada uma das pessoas que foi mencionada nelas respectivamente.

Ao saber disso, o Clay fica bastante nervoso, uma vez que ele recebeu as fitas significa que ele é um porquê e, definitivamente, ninguém gostaria de ser um dos motivos que levaram uma pessoa a se matar. Mas, ele ouve as fitas mesmo assim, e com isso, a narração é intercalada entre o Clay e a transcrição do que há nas fitas na voz de Hannah.

No começo ficou um pouco confuso saber de quem era a voz narrativa ali em questão, mesmo que a formatação do texto mudasse de acordo com a voz narrativa – a narração do Clay tinha a formatação padrão, enquanto a da Hannah era em itálico.

Logo, chega um momento do livro, na minha opinião, em que a presença do Clay é totalmente desnecessária, pois, a Hannah rouba toda a cena, e para lembrar ao leitor que o Clay existia, ele aparecia em momentos totalmente desnecessários, na maioria das vezes, sem absolutamente nada de importante para acrescentar à história. Isso me fez achar esse personagem super supérfluo e irritante, a única contribuição dele é nos fazer saber o conteúdo das treze fitas.

Ao ir aprofundando cada vez mais na leitura, fui descobrindo quais eram as razões que levaram Hannah a tomar tal decisão, e concordo que ela passou por várias situações difíceis.

Além de abordar uma temática séria que é o suicídio na adolescência, o autor também trabalha em seu livro questões corriqueiras que podem levar uma pessoa à depressão e, consequentemente, a cometer suicídio. Questões como bullying, baixa autoestima, críticas destrutivas e histórias maldosas/mentirosas que outras pessoas inventam, podem trazer consequências drásticas à vida de uma pessoa, isso acabou gerando uma reflexão enquanto estava lendo, além de ter feito rever algumas das minhas atitudes, uma vez que jamais saberemos o real impacto que nossas ações terão na vida de outra pessoa.

Thirteen Reasons Why é um livro denso, pesado de ser lido, a maneira em que Hannah se referia à sua própria vida nas transcrições das fitas realmente me chocou, foi um baque, um soco no estomago, pois é narrado de uma forma muito crua, sarcástica e com muita dor.

É claro que esse é apenas uma representação fictícia de como uma pessoa suicida se sente em relação à própria vida, mas mesmo assim, é impactante ver o quanto foi doloroso para ela vivenciar tudo o que passou.

13RW é um livro que causa muitas reflexões e trabalha um tema sério que tem acontecido com uma frequência absurda – pelo menos na região em que eu moro –, e a sociedade parece fechar os olhos para essa problemática, assim como para outras. Além de cutucar a ferida, o livro chama atenção para as nossas ações como indivíduos únicos e as consequências que tem nas vidas de outras pessoas, mas como também, a não banalização do tema, que é algo muito sério, e deve ser tratado como tal.

Em síntese, Thirteen Reasons Why (ou Os 13 porquês, na versão do Brasil), é recomendado para aqueles que desejam ter um conhecimento mais verossímil acerca do suicídio, em como uma pessoa que sofre bullying constantemente se sente, nos fazer ter uma noção, mesmo que breve e superficial, do que pode se passar na cabeça de uma pessoa suicida. Apesar de ser uma leitura densa, o livro traz ótimas reflexões acerca do assunto e do que permeia o tema.


30 de março de 2018

Resenha: Turtles all the way down, de John Green

© Elton Cardoso

Com o boom que foi o lançamento do livro “A culpa é das estrelas” (resenha aqui), do americano John Green e a adaptação de seus livros para as telas de cinema, praticamente todo mundo já deve ter ouvido falar desse incrível autor.

Mas a fama mundial de John Green o fez entrar em uma espécie de bloqueio criativo que durou anos, fazendo com que ele chegasse a anunciar que talvez não escrevesse mais livros depois de ACEDE, o que me atingiu como um verdadeiro baque, pois Green é um dos meus autores favoritos EVER.

Porém, no início de 2017, ele anunciou que finalmente curou o bloqueio criativo e que iria lançar ainda neste mesmo ano, seu novo livro e, eis que, depois de cinco anos, ele lançou “Turtles all the way down”, lançado simultaneamente aqui no Brasil com o título de “Tartarugas até lá embaixo”.

Rapidamente, comprei o livro em pré-venda – como é um dos meus objetivos ler, sempre que possível, em inglês para manter a fluência na língua, optei pela versão original em e-book –, e comecei a ler nos intervalos de um conturbado final de período da faculdade. Logo no primeiro capítulo foi possível reconhecer a gostosa escrita do John Green.

TATWD tem como protagonista a Aza Holmes, uma atípica adolescente (como todos os protagonistas do John Green) que ainda está no Ensino Médio e, junto com sua melhor amiga, Daisy (famosa na interwebs por escrever fanfics de Star Wars), decidem investigar o caso de um sumiço de um empresário bastante rico de sua cidade em troca de uma recompensa em dinheiro.

Como de praxe, o autor, em seus livros, sempre procura trazer luz à problemas que existem, mas que não são amplamente discutidos, assim como ter nerds como seus protagonistas e, através deles, desenvolver sua crítica.

Em livros anteriores, já foi abordado questões sobre câncer, bullying, sexualidade, além dos mais variados problemas que pessoas consideradas nerds enfrentam por terem uma personalidade que não se encaixa nos padrões de nossa sociedade. Isso é o que eu mais adoro nos livros do Jão Verde: ele mostra que os underdogs são tão legais quanto os populares, por exemplo.

Em “Turtles all the way down”, através da Aza, será abordado questões acerca da saúde mental e Transtornos Obsessivos Compulsivos (TOC), que são enfrentados pela protagonista que tem medo compulsivo de contrair uma infecção muito rara que poderá matá-la.

Graças ao TOC, a Aza acabou desenvolvendo outras doenças, como a crise de pânico e crise de ansiedade, e essas doenças mentais são brilhantemente retratadas durante todo o livro, assim como as metáforas que o autor utiliza para representar como uma pessoa que está em uma crise de ansiedade se sente (me senti bastante representado nesse momento, e Green soube representar muito bem essas crises de uma forma muito legal).

Admiro muito autores que sabem e utilizam a metáfora – minha figura de linguagem preferida –, pois, na minha opinião, é possível dizer, através da metáfora, de uma forma bem simples, algo supercomplexo e se encaixar na visão de mundo de qualquer pessoa, sem diminuir toda a complexidade e importância deste assunto.

John Green optou por trabalhar a saúde mental em seu livro pois, ele tem TOC e sofre de ansiedade, assim como sua personagem e, ao ler vários livros sobre o assunto, ele nunca encontrou um que de fato descrevesse como ele se sentia, então, seguindo a máxima “se tá achando ruim, faça você mesmo”, ele foi lá e fez, e fez de uma forma incrível. Já deu para perceber o quanto eu adorei esse livro?

Enfim, paralelo a isso, Aza e Daisy decidem investigar o caso do desaparecimento que, por coincidência, é o pai de um antigo amigo de infância da Aza, o Davis, por quem tinha um crush antigamente. Com a ajuda de alguns amigos, a história vai sendo narrada de uma forma bem fluída.

O autor tem a habilidade de criar personagem que são bastante cativantes, a Daisy tem uma personalidade única, é bastante engraçada e desbocada, e sua história é bastante interessante. Já o Davis consegue ser um garoto fofo, inteligente, mas também frágil, gostei da forma como Green demonstra essa fragilidade em uma personagem masculina, mesmo que adolescente – que não é tão comum assim – de forma totalmente humana que nos faz lembrar que os homens não estão imunes a sentimentos que são inerentes à raça humana, por mais que a sociedade, até hoje, diga-nos o contrário.

Desta forma, John Green nos faz praticar a empatia. Não tem como não sentir a dor de suas personagens, não se identificar com eles e torcer por eles.

Turtles all the way down é um livro um pouco denso por abordar problemas sérios como a saúde mental de uma forma bem direta, mas que é intercalado com ótimas cenas de humor, além de ser possível aprender, através dos conhecimentos e gostos peculiares de suas personagens, sobre temas extremamente aleatórios – mais uma característica marcante do autor que está presente em seus livros.

Assim, recomendo este livro para todos aqueles que tem interesse em conhecer mais e ter uma noção, mesmo que superficial, sobre como é que uma pessoa que tem TOC, crise de pânico e ansiedade se sente, uma vez que esse tema é bastante ignorado e banalizado em nossa sociedade.




Resenha: Ignore Everybody, de Hugh MacLeod

© Elton Cardoso

Ignore Everybody: and 39 Other Keys to Creativity, escrito pelo ilustrador americano Hugh MacLeod, tem exatamente a proposta que o título apresenta: ignorar geral e mais 39 dicas para manter a menina criatividade acordada.

Então, a premissa do livro é exatamente essa, bastante simples, ao longo de todo o livro, MacLeod inicia os capítulos com a dica em questão e, em seguida, nos explica o que ele quer dizer com aquilo, além de sempre nos apresentar experiencias pessoais vivenciadas, na maioria das vezes, por ele, ou por pessoas próximas a ele.

Algumas dessas dicas, nos motivam a sempre manter a nossa criatividade em dia, principalmente em dias que essa linda decide ativar o modo porra loka e sai sem rumo e sem data para voltar. Mas essas dicas fazem com que ela volte, assim, de imediato? Nope!

A minha criatividade quando vai embora, só volta quando bem entende porque ela é independente, linda, e segura de si e sabe muito bem disso, porém, essas dicas me ajudam a ir salvando, criando e lapidando com muita calma e paciência algumas ideias que geralmente eu uso na produção de minhas fotografias (aliás, me segue lá no instagram!), desta forma, quando a Criatividade decide que é hora de voltar para casa, ela é recebida com várias ideias legais ou não daí, é só pôr em prática. A parte boa é que ela sempre volta de bom humor e disposta a trabalhar! 

Além de todas essas dicas e experiências que o autor compartilha com a gente, no final de cada capítulo (todos bem curtinhos) sempre tem duas ilustrações o autor que foram feitas em versos de cartões de visita. Aliás, ele ficou conhecido justamente por isso: entregar uma ilustração que ele cria na hora no verso de seus cartões de visita. Uma ideia BEM legal, né?

Logo, se você está procurando conhecer mais sobre as experiências de artistas e um pouco de sua jornada, além de algumas dicas de como manter a fofa da Criatividade, Ignore Everybody: and 39 Other Keys to Creativity é um livro que eu super recomendo para você.


29 de março de 2018

Resenha: Kindred Spirits, de Rainbow Rowell

© Elton Cardoso

"Kindred Spirits" é um conto escrito pela autora norte americana Rainbow Rowell, que escreve livros para o público Jovem-adulto, e que já ganhou uma edição brasileira pela editora Nova Conceito, sob o título de “Universos Afins” (com uma capa muito linda, diga-se de passagem).

Eu conheci a autora ao ler o livro "Fangirl" (que tem resenha aqui), e simplesmente fiquei encantado com a forma como ela constrói um romance e consegue mantê-lo na linda do “isso realmente poderia acontecer” ou “se algum amigo me contasse essa história e falasse que de fato tinha acontecido com ele, eu acreditaria”, assim, nesse feriado de carnaval eu queria ler algo rápido, mas que me entretece e foi uma leitura bem fluida e gostosa, por coincidência, o Vitor Martins, indicou esse livro em um de seus vídeos, e eu já fui procurar lá na Amazon para ler.

Este conto se passa em um período de 4 dias antes da estreia mundial do filme Star Wars: The Force Awakens, e tem como protagonista a Elena, uma adolescente nerd viciada na saga do George Lucas que decide esperar na fila afim de vivenciar toda a experiência que os fãs tiveram quando foi lançada a segunda trilogia e ela era nova demais para passar dias sozinha em um fila.

Assim, a contragosto de sua mãe, ela vai, mas ao chegar tem um leve desapontamento, pois esperava várias pessoas estarem na fila, mas encontra apenas dois caras, o Troy, um fã muito avido de SW e o primeiro da fila; e o Gabe, o nerd genuíno, segundo da fila e muito introspectivo.

Com o passar do tempo, eles vão conhecendo mais um pouco de si na medida do possível. E o Gabe, que passou alguns dias falando bem pouco com os outros dois, após um acontecimento no meio da noite ele se aproxima mais de Elena e eles acabam descobrindo que tem muito mais em comum do que imaginavam ter e assim, a Rowell consegue construir um início de romance bastante convincente em pouquíssimas páginas e quando eu comecei a torcer insanamente pelos dois, o livro acabou. O que realmente foi uma pena por que eu queria saber muito mais sobre eles, sobre o que acontece depois, mas creio que essa é justamente um dos objetivos do livro, como disse, o livro termina com um ar de “poderia ter mais, deveria ter mais”, mas termina, como posso dizer? De uma maneira bem fofa, de uma maneira bem Rainbow Rowell.

Da mesma forma que aconteceu com Fangirl, me apeguei/identifiquei com as personagens, então se vocês estão procurando por um livro curtinho, para ler durante o carnaval, e que possa te entreter e te fazer se afeiçoar com as personagens, provavelmente, Kindred Spirits pode ser uma boa opção.


22 de março de 2018

Resenha: Call Me By Your Name, de André Aciman

© Elton Cardoso
“Call Me By Your Name”, do escritor americano André Aciman, é uma das obras mais bombadas desses últimos meses graças ao grande retorno que a versão cinematográfica está tendo e, agora, mais do que nunca com as quatro indicações ao Oscar, incluindo a de Melhor Filme.

A história se passa majoritariamente durante os anos 1980 na Itália e é narrada em primeira pessoa pelo protagonista Elio. Logo no começo do livro, o Elio, que tem apenas 17 anos, nos conta que seu pai é um grande professor universitário que tem uma bela casa de veraneio em algum lugar da Itália, e que, todos os anos, durante as férias de verão, ele seleciona um aluno doutorando para se hospedar em sua casa e poder dar andamento à obra em que esteja trabalhando e, em troca, o escolhido terá que trabalhar com o anfitrião por pelo menos uma hora por dia ajudando-o com seus papéis e questões burocráticas.

O escolhido atual é o americano Oliver, que tem 24 anos, e é descrito pelo Elio como sendo um cara bastante bonito, atraente e seguro de si. Assim que eles se veem pela primeira vez, um sentimento diferente surge no Elio o que, com o passar de alguns dias ele descobre que realmente está afim do Oliver.

Uma vez que Elio está seguro acerca do que sente em relação ao seu novo hospede, porém, inseguro se será correspondido, ele, discretamente começa a dar alguns sinais de seus sentimentos para Oliver, este, pretende fingir que não está reconhecendo os sinais. Eis que, em um determinado dia, Elio, já cansado dessa incerteza, decide expor o que sente, e é surpreendido ao descobrir que Oliver também compartilha do mesmo sentimento para com ele.

Consoante a isso, é iniciada uma grande aventura romântica entre eles, e Elio, pode, enfim, realizar todos os seus desejos sexuais junto com o seu grande amado Oliver. Daí, vamos acompanhando todo o desenrolar dessa relação, como a primeira vez deles, a intensidade, sensualidade, desejo e sexo que são exalados quando ambos estão juntos e, principalmente, os sentimentos.

Muita gente criticou o fato de um homem de 24 anos está se relacionando sexualmente com um adolescente de 17 anos, o que, aqui no Brasil, em alguns casos, se enquadraria como pedofilia, porém, vale a pena ressaltar que a história é ambientada na Itália nos anos 1980, lá, a idade de consentimento é de 14 anos e, o Elio consentiu — e queria muito — o ato sexual entre eles.

Na minha opinião, a melhor parte do livro é a forma como o autor narra, através da visão do jovem Elio, os sentimentos que ele sente em relação ao estar apaixonado por outra pessoa, assim como todo os sentimentos de confusão, aflição, angústia e paixão que ele sente. Toda essa parte é carregada de uma grande carga de sensibilidade, é bastante tocante e real a forma como isso é retratado no livro, sério, é muito lindo.

Já a parte que eu não gostei foi em relação à narrativa. Como já mencionei, o livro é narrado em primeira pessoa sob a visão do Elio, ou seja, tudo o que sabemos é o que o Elio sabe, só sabemos o que ele sente em sua totalidade, o que os outros estão sentindo ou passando só é de nosso conhecimento se o Elio souber. Com isso, o ritmo do livro também é o do Elio, de acordo com o tempo que ele levou e estimou para assimilar e fazer algumas coisas, isso, na minha opinião, fez a leitura do livro ficar bastante enfadonha, lenta, se arrastando, em algumas partes eu fiquei lendo no automático — e cabeça pensando em qual seria a próxima série que eu ia ver na Netflix — e eu tive que voltar e ler novamente para poder entender o que estava acontecendo.

Outra coisa que eu não gostei parcialmente foi a “utopia” que a história apresenta em alguns pontos, como o fato deles poderem viver o amor deles como se fosse um filme das Princesas da Disney, sem absolutamente nada para impedi-los ou contrariá-los (até as Princesas tem alguém para encher o saco delas). Entretanto, confesso que, diante da realidade que o Elio vivia — totalmente distinta da minha —, isso era muito possível de se acontecer. Afinal, a família do Elio tem um certo status social, financeiro e intelectual. A casa dele vivia cheia de intelectuais acadêmicos das mais variadas áreas, além de os pais o terem criado com bastante liberdade, fazendo deles uma família bastante à frente de seu tempo, mas isso não os deixava isentos de não intervir. Há uma parte bastante interessante que é o monólogo que o pai do Elio diz para ele, muito emocionante.

Ou, talvez o vilão não precise ser necessariamente uma pessoa, mas algo que ninguém tem controle sobre, como o Tempo. Fiquei pensando muito sobre isso no meu momento reflexão pós término de livro


Call Me By Your Name é um livro bastante sensível, com seus altos e baixos como toda história tem e retrata um período lindo e único na vida de uma pessoa, o primeiro amor. Então se você procura uma história de amor que se passa na Itália (André Aciman conseguiu deixar a Itália ainda mais linda e interessante com este livro), então, você terá grandes chances de gostar desse livro.


29 de janeiro de 2018

Resenha: Diário de um Banana, de Jeff Kinney.

© Elton Cardoso

Há anos que eu tinha vontade de ler algum livro da série Diário de um Banana, do cartunista americano Jeff Kinney, porém, só tive oportunidade agora graças ao Kindle Unlimited (sério, muito amorzinho pelo Kindle ❣).

Sempre achei interessante este tipo livro, principalmente a forma como é narrada a história, através das tais Graphic Novels – um nome gourmet dado aos romances que são narrados através de quadrinhos –, pois, além de chamar a atenção da criança (uma vez que esse é o público alvo) por ter imagens, também acaba incentivando elas a lerem, o que é incrivelmente bom.

Já conhecia a história do livro, pois tinha assistido há algum tempo ao filme que recebe o mesmo nome, e isso fez com que eu não aproveitasse muito bem a história.

Como sempre faço quando leio algum livro que não pertence à minha faixa etária, eu coloco a minha capa da idade correspondente e lá vou eu ler o livro em questão, nesse caso, eu vesti a capa do Elton com 10 anos de idade, e este mini Elton não achou o livro legal e, definitivamente, não foi pelo fato de já saber da história, mas sim pela maneira como o autor construiu o personagem principal, o Greg Hefley.

O Greg de fato é uma criança comum como qualquer outra da idade dele. Ele entra em várias enrascadas na tentativa de se destacar e conseguir novos amigos, mas quase sempre acaba se ferrando por isso, mas, na minha opinião, não da maneira “correta”. Por exemplo, teve várias situações em que o personagem entrou em enrascadas e no final, houve uma consequência, até aí, ok!

Entretanto, teve algumas situações que o Greg fazia algumas coisas, tipo ser sacana com o seu único amigo, e ele ganhou uma “recompensa” da mãe depois, embora, mais tarde, tenha tido outra consequência, mas que mesmo assim, não foi de conhecimento de seus pais, isso me fez ter a impressão de que o mini Elton de 10 anos poderia pensar algo como “hum, legal, vou ser escroto com meu ÚNICO amigo, porque eu vou ganhar uma recompensa, mesmo que depois eu perca um posto que eu não gostava tanto assim, então tá tudo bem”. Não, não está tudo bem! Posso está exagerando? Talvez, mas eu fiquei com essa sensação e isso me fez olhar o livro com outros olhos.
Desta forma, eu particularmente, prefiro a versão cinematográfica, pois a achei muito mais divertida e engraçada que a versão original literária da história.



3 de dezembro de 2017

Resenha: Outros jeitos de se usar a boca, de Rupi Kaur

@eltonkardoso

Rupi Kaur é uma daquelas autoras que surgiram na internet e ganhou o mundo ao publicar seus textos online. A princípio, Kaur, nascida na Índia, mas que se mudou para o Canadá aos quatro anos junto com sua família, em que, desde pequena, sempre foi estimulada pela sua mãe a desenhar e pintar. Mais tarde, com o uso do Instagram (@rupikaur_) para divulgar os inúmeros tipos de arte, ela decidiu postar seus textos que ganhou muita repercussão, e depois, publicou na Amazon, de forma independente, seu primeiro livro “Outros jeitos de se usar a boca” (Milk and Honey em inglês), que se tornou um dos mais vendidos do site chamando atenção de editoras, fazendo com o que o livro fosse publicado fisicamente e tendo seus direitos de publicação vendidos para vários países, inclusive o Brasil.

Como é de se esperar, conheci o livro no Instagram, ele virou hype e vários perfis literários que eu acompanho passaram a postar fotos da capa e de trechos do livro, até que um dia aleatório, de forma totalmente despretensiosa, peguei meu Kindle e baixei o livro ao seu impactado pelo primeiro poema de OJDSUAB.

O livro tem como público-alvo as mulheres, mas isso está longe de significar que outras pessoas de outros gêneros não possam lê-lo, afinal, arte não tem gênero. Assim, a autora divide o livro em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura. E é simplesmente impressionante, belo, intimista, sensível e devastador a forma em que ela usa seus poemas, ilustrações e prosas para exemplificar cada uma dessas partes, que regem qualquer tipo de relacionamento, principalmente, os amorosos.

É possível sentir a dor da autora ou de seu eu lírico; é lindo e amedrontador como ela descreve o amor; e toda a aflição, insegurança, receios, desesperanças e medos que passamos quando terminamos um relacionamento e estamos nos curando.

Os poemas são como um verdadeiro baque, um tapa na cara de quem está lendo. Por ter um público alvo feminino, haverá poemas relacionados ao universo das mulheres, mas como eu falei acima, nada que impeça a compreensão, interpretação e a prática da empatia de qualquer pessoa que não seja do sexo feminino ao ler o livro de Rupi Kaur.


Fiquei muito surpreso com os textos de Kaur que li o livro todo de uma vez em questão de minutos, e cada vez que ia lendo, mais o efeito mindblowing ia se intensificando. Uma leitura linda, rápida e que pode gerar várias reflexões acerca de temas que ainda hoje são naturais à biologia feminina, porém, vistas como um tabu, e tabus, como o abuso sexual, doméstico e psicológico que algumas mulheres vivem que não devem ser vistos como tabus e devem, cada vez mais, serem discutidos em todos os ambientes sociais, principalmente à mesa de um almoço familiar. 



14 de outubro de 2017

Resenha: Limite Branco, de Caio Fernando Abreu

© Elton Cardoso

Meu interesse em ler Caio Fernando Abreu surgiu após alguns dias passeando pelo universo do Tumblr e ler com bastante frequência algumas citações dele. Após isso, fui pesquisar na internet quais eram os livros mais populares e o escolhido foi “Limite Branco”.

Abreu nasceu em Santiago no Rio Grande do Sul e veio a falecer em Porto Alegre aos 48 anos de idade, foi um grande dramaturgo, jornalista e, obviamente, um ótimo escritor brasileiro.

Limite Branco foi o seu primeiro romance, em que o autor escreveu quando tinha aproximadamente 19 anos, e desde o início do livro, já é possível ver como iria se dar a leitura daí em diante.

Neste romance, conhecemos Mauricio, um adolescente de 19 anos que há anos tem o hábito de escrever alguns fatos de sua vida em um diário, além de recorrer ao passado, mais precisamente em sua infância, para nos contar sua história.

O livro tem uma característica bem intimista, e é desta forma que a personagem principal recorre ao seu passado, com o intuito de relembrar o que foi vivido, e não com a intenção de nos contar sua biografia. Desta forma, podemos perceber todas as dúvidas, angústias, medos, raiva e anseios pelos quais Mauricio enfrentou, isso fazia com que a narrativa tivesse toda uma carga pessoal o que me fez lembrar muito de monólogo interno. E era basicamente isso que CFA nos apresenta em seu livro.

Como mencionado, por se assemelhar bastante de um monólogo, tive a impressão de ver toda a intimidade de uma pessoa (o Mauricio) ali expostas, todos os sentimentos angustiantes, duvidosos, conflitantes que boa parte de nós tivemos durante a puberdade e adolescência.

Aqui, o autor, escancara toda a sua habilidade de narrar seus sentimentos da forma mais interessante e pessoal possível. Através dos pensamentos de Mauricio, pude ver que não fui tão diferente dele em determinados pontos e reflexões.

Reflexões, realmente é algo que me aconteceu muito durante toda a leitura – em que fez questão de ler com bastante calma para que pudesse absorver sem pressa tudo aqui que Caio Fernando Abreu queria nos transmitir.

A narrativa do livro é intercalada com as narrações do personagem principal acerca de sua vida desde a infância, em que ele passava as férias na fazenda da família e tinha que lidar com alguns parentes que ele não sabia no momento se gostava ou não e com isso, toda a percepção que ele tinha na época sobre como ele via determinados parentes e situações que ali vivenciou.

Saindo da infância e entrando na fase da puberdade e adolescência, Mauricio tem seus primeiros contatos com a sexualidade, seja de maneira indireta e/ou direta, e isso, assim como outras situações o faz se trancar em seu mundo pessoal e pensar muito sobre muitas coisas como o sexo em si, a despertar de sua sexualidade e como ele encara e lida com isso ao longo dessa fase de sua vida.

Com o avançar das páginas, chegamos ao tempo ‘presente’, em que o personagem-narrador está situado, ele já tem 19 anos, praticamente um adulto, e desta forma, nós vamos vendo como seus ideias e objetivos vão mudando sobre determinados assuntos em relação às suas ideias de anos atrás.
Entretanto, o que realmente me deixou instigado em sempre ler mais do primeiro livro de CFA, foi o fato de o autor ter intercalado entre os capítulos os escritos de Mauricio em seu diário. Ou seja, ora era um capitulo narrando passagens da vida da personagem, ora era uma parte do diário, sempre seguindo a ordem cronológica.

Estas partes do diário me chamaram bastante atenção pois era nesses capítulos em que era possível vermos o que Mauricio realmente era, sentia e pensava de verdade, sem pudores ou censura. Me identifiquei com os escritos dele pois, assim como o personagem, eu também mantenho um blog em que faço dele um diário, isso me fez ter altas viagens reflexivas acerca de tudo o que o personagem estava sentindo.

O livro termina de uma forma bastante inesperada, pelo menos para mim não foi nenhum pouco previsível, e o que ali aconteceu – que não irei revelar por motivos de spoilers – também traz uma certa melancolia além da tal reflexão acerca do que pode acontecer em nossas vidas.


Caio Fernando de Abreu além de nos apresentar com uma ótima história, também tem a incrível habilidade de nos presentear com várias citações magnificas, assim como falei ali no começou que foram justamente as quotes que me levaram a lê-lo isso se comprovou ao longo da leitura deste livro. Portanto, eu super recomendo a leitura de Limite Branco, se você curte ou quer ler livros com essa pegada mais intimista, meio monólogo interior junto com algumas reflexões, além de poder ler um dos maiores autores que nosso país já teve.


5 de agosto de 2017

Resenha: Adulthood is a Myth, de Sarah Andersen

© Elton Cardoso

Soube da existência desse livro quando vi a divulgação da edição brasileira, que recebeu o nome de “Ninguém vira adulto de verdade” num desses instagrans da vida e fui procurar sobre e acabei encontrando a versão em ebook, mas somente da versão em inglês, que foi a que eu li.

Sarah Andersen é uma ilustradora americana que começou publicando suas tirinhas nas redes sociais, inclusive, no perfil dela lá no Instagram (@sarahandersencomics) ela já tem mais de 1,6 milhões de seguidores, com toda a repercussão dela nas mídias, não demorou muito para que as editoras quisessem publicá-la.

Assim, Adulthood is a Myth é um compilado de várias dessas tirinhas feitas pela Sarah, sobre uma espécie de auto ilustração em que várias das situações vivida pela personagem são semelhantes às que vivemos nessa fase de #adultinho – algumas dessas situações são restritas apenas ao universo feminino, mas isso não faz com que as tiras sejam sem graça ou nonsense, muito pelo contrário, são igualmente divertidas, além de nos apresentar um pouco do que as mulheres vivem.

As melhores tirinhas, na minha opinião, são todas em que o coelhinho aparece e interage com ela, gente, sério, é uma fofura.


Adulthood is a Myth é um daqueles livros pequeninos em que é possível ler em uma sentada só, e em poucas horas você terá se entretido, dado algumas risadas, além de ter alguns possíveis ataques de fofuras com determinadas situações e poder se identificar com as situações que a vida adulta nos apresenta e assim podemos chegar à conclusão de que “ninguém vira adulto de verdade” e que tá tudo bem! 


31 de dezembro de 2016

Resenha: Para Todos os Garotos que Já Amei, de Jenny Han

Então, esse é um daqueles livros que o motivo principal que me fez lê-lo foi simplesmente a capa, nada mais. Assim, com essa capa prá lá de linda eu iniciei a leitura da mais nova trilogia de Jenny Han.

Aqui, conhecemos a Lara Jean, uma adolescente de 16 anos que tem mania de escrever cartas de termino de relacionamento quando ela decide que não quer mais estar apaixonada por um determinado garoto – mesmo ela nunca ter namorado nenhum dos garotos para quem escreve suas cartas –, nessas cartas ela não reprime seus sentimentos e expõe tudo, desde o motivo pelo qual ficou afim deles, até as coisas que eles fazem que mais irritam ela e as que ela mais gosta neles. Tudo isso nos é apresentado logo na introdução do livro.

Após ficarmos sabendo da rotina da família Covey – composta pela Lara Jean; sua irmã mais velha que está de mudança para a Escócia para cursar faculdade, Margot; a caçula, Katherine (Kitty, para os mais íntimos) e o pai delas, que é médico. Com a morte da mãe das meninas quando Lara Jean ainda era criança, a responsabilidade de ser “a madura” acabou ficando com a Margot. Ela toma conta de tudo, põe ordem na casa, mantem a rotina funcionando, faz o possível para não sobrecarregar o pai que trabalha muito, porém ela está de mudança, e o bastão de “irmã mais velha” irá passar para a irmã do meio, Lara Jean, que está com muito medo dessa grande mudança/responsabilidade.

Confesso que a Lara Jean me irritou muito durante boa parte do livro. No começo ela demonstra um comportamento muito irritante/mimado/infantil que me deu nos nervos. Tive que reunir coragem para continuar com a leitura.

Nossa personagem principal ver sua vida virar do avesso – bem clichê essa frase, neam! –, quando procura uma caixa de chapéu, que ganhou de presente de sua mãe, onde ela guarda os maiores segredos dela: suas cartas de despedida de amor. Porém, ela não encontra as cartas lá e é ativado o modo “já pode surtar porque o bicho vai pegar”. Ela procura essas cartas por toda a casa, mas não as encontra e decide ir dormir angustiada. No dia seguinte, primeiro dia de aula do ano letivo, ela estava na aula de educação física e de repente, um antigo amigo de infância dela se aproxima e questiona o recebimento de uma determinada carta escrita por ela. Isso mesmo, o pior pesadelo de Lara Jean aconteceu. Suas cartas foram enviadas. Um dos destinatários a recebeu e está ali na frente dela querendo explicações.

Ela conta o verdadeiro motivo das cartas, explica que foram enviadas para outros garotos, principalmente o garoto que ela realmente gosta, e para tentar amenizar a vergonha que ela vai passar, o Peter, o primeiro garoto que recebeu a carta, oferece uma proposta irrecusável que será benéfica para ambos: fingir que estão namorando. Com isso, eles poderiam causar ciúmes nas respectivas pessoas que eles estavam apaixonados.

Um triangulo amoroso muito perigoso acaba se formando, pois com o falso namoro, antigos sentimentos sobre o Peter vão ressurgindo aos poucos enquanto enfrenta o dilema por ter consciência que jamais poderá ficar com o garoto que ela está apaixonada – e o motivo não será revelado por questões de spoilers.

Como mencionei anteriormente, a protagonista deste livro me irritou muito com suas atitudes infantis – sim, eu sei que ela tem apenas 16 anos, mas mesmo assim, me irritou –, porém é bastante visível o amadurecimento dela ao longo da história, ao ponto que me fez gostar e torcer por ela.

Com capítulos bem curtos, a leitura flui com uma leveza e agilidade surpreendente, e eu, para variar, me senti cada vez mais tentado naquela história de “só mais um capítulo” já que eram tão pequenos.

Os últimos capítulos trazem uma grande reviravolta à história e a autora termina o livro de maneira que me agir tipo “COMO SE ATREVE TERMINAR O LIVRO DESSA FORMA, MUIÉ? CÊ TÁ LOKA?”. O que me fez ficar tentado em comprar logo o próximo livro da trilogia e já começar a ler, mas não o fiz, tive que me controlar e priorizar outras leituras que estavam pendentes, mas pretendo ler “PS: Ainda amo você” em breve e, é claro, assim que o fizer, terá resenha aqui no blog.

Enfim, apesar dos pormenores, fica a recomendação de Para todos os garotos que já amei, se você curte ou quer conhecer histórias românticas adolescente bem no clima daqueles filmes de Sessão da Tarde, sabe?


28 de dezembro de 2016

Resenha: Tá todo mundo mal, de Jout Jout

© Elton Cardoso

Hey! Há alguns anos o boom de livros escritos por youtubers explodiu no Brasil, e desde então, com certeza, você já deve ter ouvido as mais variadas opiniões sobre eles, e comigo não foi diferente, pessoas, às vezes, me perguntavam o que eu achava sobre esses livros e eu respondia baseado em meus pré conceitos, visto que eu não tinha lido nenhum livro sobre – obviamente, antes de eu dá minha opinião nenhum pouco importante eu avisa que “eu nunca li, MAS...”.

Apesar de vários youtubers que eu acompanho e gosto terem lançado livros, não me senti motivado a ler nenhum deles, até que a linda da Jout Jout lançou o dela e, enfim, eu li. E eu não gostei nenhum pouco da premissa do livro.

Hoje, eu consigo ver dois tipos de livros que são lançados por youtubers: 1) livros de memórias (a grande massa da rede social lança livros desse tipo, inclusive a Jout Jout) e; 2) livros de histórias inéditas que brotaram na cabeça deles em um momento de inspiração (adicione aqui a grande minoria dos livros de youtubers).

O livro da Jout Jout é um livro de memórias onde ela vai discorrer sobre as mais variadas crises que já teve na sua vida – inclusive, o título do livro foi inspirado em um vídeo dela que tem o mesmo nome e você pode ver aqui. Jout Jout escreve suas crises de uma maneira brilhante, como ela mesma diz: ela é criativa e escreve bem; isso é um fato provado no livro. Assim como em seus vídeos, ela aborda sobre temas super corriqueiros e banais presentes na vida de todos, assim como temas sérios, todos regados com sua bela opinião sobre o tema. Achei praticamente impossível ler o livro sem imaginar a voz dela e todos os gestos característicos que há anos vemos em seu canal. Porém, depois de ler algumas crises, cai a ficha: o livro é exatamente a mesma coisa que ela faz no YouTube, só que aproximadamente R$ 30,00 mais caro.

Isso aí, qual é o sentido de cobrar por algo que ela oferece de graça em outra plataforma? Eu adoro a Jout Jout, mas definitivamente, eu prefiro passar horas VENDO os vídeos dela no YouTube do que LENDO os vídeos dela em um livro. Suas crises, são quase um roteiro de seus vídeos. Novamente, são muito bem escritas e humoradas, mas e o diferencial, cadê?

Também entendo que as editoras precisam vender muitos livros – e isso, a Jout Jout vai fazer muito bem, sem dúvidas –, assim como entendo que o dinheiro arrecado com os livros de youtubers, além de outras coisas, será usado para custear o lançamento daquele autor novo com um livro promissor, mas que ninguém nunca ouviu falar dele e exigirá muito mais da editora para promove-lo.

Estou dizendo que esses tipos de livros são inúteis? Jamais. Como estudante de Literatura, tenho total noção do poder de qualquer livro. Tenho noção que livros como o da Jout Jout, Kéfera, Felipe Neto e outros, tem um alcance imenso e atingem, em boa parte, o público adolescente, então, se um desses jovens que não tinham o hábito de ler, leem algum livro de youtuber, gostam do livro, adquirem o gosto pela leitura, passam a ler constantemente, chegam a conhecer outros títulos/autores/gêneros, como é que um livro desse pode ser considerado inútil? (já tô imaginando os defensores dos “bons livros” e da boa moral e costumes da Literatura se doendo com esse meu comentário).

Mas estou dizendo que acho injusto cobrar por algo que é oferecido de graça. Tipo, qual a diferença de ter um desses livros na minha estante ou os vídeos do canal do autor salvos no meu PC?

Enfim, me diverti sim, lendo as crises dela, mas continuarei vendo os vídeos da Jout Jout em seu maravilhoso canal e admirando o trabalho que ela faz por lá.



15 de dezembro de 2016

Resenha: Every Day, de David Levithan

© Elton Cardoso
Every Day (Todo Dia, na versão brasileira publicada pela Galera Record), é um livro escrito pelo norte americano David Levithan, que além deste livro que irei resenhar, ele também escreveu livros como Garoto encontra garoto, e Will e Will: um nome, um destino (cujo coautor é o John Green) todos esses livros publicados pela Galera Record, aqui no Brasil.

Quando descobri este livro há alguns anos, instantaneamente me interessei em lê-lo e logo o adicionei à minha lista de leituras do Skoob. E vendo um vídeo-resenha dele, em que a pessoa (não me lembro quem) optou por ler a versão original em inglês, por causa da proposta do livro – irei explicar mais a frente –, isso me fez ficar ainda mais interessado em lê-lo; porém, depois de anos, só pude ler agora.

A história narra a vida de uma personagem bem peculiar, que se chama A – sim, somente a letra “a” (a partir de agora, toda vez que o “a” vier sublinhado, estarei me referindo a personagem, tá?). E, diferente das outras pessoas, A é tipo uma “entidade”, não tem corpo próprio, assim, todo dia, elx acorda em um corpo diferente de uma pessoa que tem a mesma idade que elx, 16 anos. A pode não ter um corpo próprio, mas tem uma personalidade, vontade, desejos e sonhos próprios. A também não tem uma sexualidade definida, ou seja, não se vê nem como garoto, nem como garota: há dias que ele está se sentindo mais menino e há dias que ele se sente mais menina. Por esta característica da personagem, vou usar a neutralidade binária, ou seja, o “x” todas as vezes que tiver que usar algum artigo que poderia atribuir algum gênero específico à personagem, por esta ser, ao meu ver, gênero fluido. É aqui que entra o motivo de eu ter optado por ler o livro em inglês: o artigo definido que precede o nome próprio (the) é neutro, e quem tem um conhecimento bem básico da Língua Inglesa sabe que the significa o, a, os, as. Assim, The A (O/A A). Deu para entender? A personagem pode ser tanto ele ou ela, os dois ou nenhum, você, leitor, é quem escolhe isso.

Infelizmente, essa característica gênero fluido do artigo pessoal não acontece na Língua Portuguesa: todas as coisas em nossa língua materna são masculinas ou femininas, portanto, a personagem A, na versão brasileira da obra, foi masculinizada e ele é um garoto (na versão brasileira não é possível essa “opção” que o autor, David Levithan, propôs em seu livro).

Depois dessa introdução, vamos ao enredo da história. O livro começa com A no corpo de um garoto chamado Justin, que tem uma personalidade um tanto difícil, e como A sempre faz o possível de seguir à risca a vida da pessoa em que está habitando, elx se arruma para ir à escola, mas como parte da rotina do Justin, elx tem que parar para pegar a namorada dele, Rhiannon, que logo de cara chama muito a atenção de A – como elx habita corpos/vidas de outras pessoas há 16 anos, ele tem acesso às lembranças/memórias das pessoas que está habitando, assim como consegue interpretar a linguagem corporal delas.

A logo percebe que a Rihannon está em um relacionamento abusivo, e o Justin é o principal causador disso. Ele deixa sua namorada muito insegura, e entre outras coisas, ele não a trata bem. O dia vai passando e A decide mudar a rotina do Justin e convida a Rihannon para ir à praia. A garota estranha a reação do namorado – lembre-se: é A que está habitando o corpo do Justin –, mas vai mesmo assim, e A faz com que eles tivessem uma noite inesquecível. Entretanto, isso faz com que A terminasse o dia completamente apaixonado pela Rihannon. Mas como elx vai fazer para ficar com a Rihannon se elx passa apenas 24 horas no corpo de uma pessoa? É isso que A tenta descobrir todos os dias desde que conheceu a Rihannon.

Elx encontra várias oportunidades de reencontrar sua amada e conversar com ela nos mais variados corpos que vai habitando, porém, em um dia que estava habitando o corpo de um garoto, Nathan, e não consegue voltar para a cidade dele antes da meia-noite (horário em que a transição de corpo acontece), A tem que tomar uma decisão em relação a isso que vai interferir em toda a história do livro.

Outra característica muito interessante do livro: tem dias em que A acorda no corpo de um garoto, garota, hétero, gay, lésbica, bi, trans, branco, negro, latino, rico ou pobre. Aos olhos do narrador, nós vemos um pouco sobre um dia da vida de várias dessas pessoas e assim, acaba gerando uma reflexão muito interessante. Digamos que você teve a oportunidade de ler em inglês e optou por conceber A como sendo uma garota hétero, porém, A acorda no corpo de uma garota lésbica que tem namorada, e tem que beijá-la. E aí? Como fica esse dilema? Afinal, você tinha concebido que sua personagem seria hétero mas de repente ela está beijando outra garota na maior naturalidade. Isso faz dela hétero/lésbica/bi? Qual rótulo a ser escolhido? A resposta: NENHUM.

By the way, um dos momentos mais tocantes da história é quando A está no corpo de uma pessoa transexual, e o autor consegue narrar com tanta sensibilidade como é que uma pessoa trans se sente que é praticamente impossível não pôr a empatia em prática.

Essa é uma das propostas do livro: gerar esse tipo de reflexão.  E isso é muito bom, pois, sabemos que, felizmente, existem pessoas que, de fato, quando chegou nesse “dilema” não viu nenhum problema nisso, porque conseguem ver as demais como indivíduos e não como um rótulo. Fazer o leitor refletir sobre identidade de sexo e de gênero de uma maneira muito simples e direta, além de abordar temas sobre depressão, obesidade, baixa autoestima, opressão dos pais entre outros.

Além de nos fazer querer saber o que acontece com a vida das pessoas que A habita, pois elx habita algumas vidas bem interessantes e tem que deixá-las, muitas vezes, em momentos de clímax, o autor nos faz refletir sobre temas ainda não muito debatidos, mas que precisam ser debatidos, sem falar que David Levithan nos leva a um final surpreendente e emocionante que, para variar, me arrancou algumas lágrimas. Every Day, sem sobras de dúvidas, é um livro que recomendo a todos, além de bem escrito, o autor nos presenteia com uma bela reflexão sobre temas contemporâneos, ainda não muito abordados devido a todos os preconceitos em torno do tema, porém igualmente necessários e importantes o suficiente para serem debatidos e explanados em sua totalidade.




PS: Pesquisei sobre o gênero fluido e também tive ajuda de um amigo que me explicou com a máxima riqueza de detalhes que ele podia sobre o assunto, pois, no momento em que li este livro, acredito que a personagem principal pode ser considerada gênero fluido, porém, caso eu tenha usado este ou quaisquer outros termos/nomenclaturas/afins de maneira errônea, POR FAVOR, notifique-me, explique-me onde e porquê eu errei, adorarei aprender e, principalmente, fazer a possível correção neste post.



15 de setembro de 2016

Resenha: O Orfanato da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, de Ransom Riggs

© Elton Cardoso
O Orfanado da Srta Peregrine para Crianças Peculiares, escrito por Ransom Riggs, promete trazer toda uma atmosfera meio dark à história, em parte pelo belíssimo trabalho visual, tanto da capa, quanto do livro como um todo, mas ao contrário do que muitos podem pensar, este não é um livro de terror ou de suspense, mas sim uma história de fantasia, bem na vibes do Neil Gaiman e, é claro, do Tim Burton – que além de ser o diretor da adaptação cinematográfica que recebe o mesmo nome, é um fã assumido do livro. Ou seja, se você conhece algum dos trabalhos de Gaiman ou Burton, você já sabe como funciona a atmosfera dessas histórias, certo?

Então, no livro, você encontrará personagens bizarros com habilidades igualmente bizarras, porém cativantes, e uma narrativa que não tem o propósito de causar medo, ou sequer um suspense, mas sim, aquela atmosfera gostosa de uma história que beira o gótico.

O livro começa narrando a vida de Jacob “Jake” Portman, um adolescente de 16 anos, abastardo, que trabalha obrigado em uma rede de supermercados de sua família e com apenas um único e melhor amigo. Além de seu melhor amigo, o Jake se dá muito bem com seu avô paterno Abe Portman, ou Vovô Portman, com ele carinhosamente, chama.

Seu avô tem o hábito de lhe contar histórias sobre o seu passado, principalmente da infância, onde, judeu e refugiado da Segunda Guerra Mundial, encontra abrigo no Orfanato da Srta Peregrine, onde vivia com crianças que tinham dons especiais, os Peculiares – que como os X-Men, tem seus poderes devido a uma mutação de um gene recessivo – e juntos viveram altas aventuras, mas que teve que ser interrompida pois o Abe decidiu ir lutar na guerra, e assim deixou o orfanato de vez. Durante longos anos, o Jake acreditou em todas essas histórias, principalmente porque tinham fotografias que provavam que essas crianças de fato existiam, mas, com o passar dos anos, o Jake passou a ficar incrédulo e até a acreditar que o avô estava perdendo a razão.

Eis, que o Jake recebe uma ligação de ser avô que está em surto, fazendo com ele fosse ao encontro de seu avô. Só que Jake chega tarde demais e encontra seu avô morto – não se preocupe, isso não é um spoiller, já acontece no comecinho do livro – e isso leva a história a seu enredo principal, pois o Jake decide visitar a ilha onde seu avô morava quando criança afim de descobrir a verdadeira história da vida de seu amado avô. E ele de fato encontra informações que vão interferir em definitivo na sua vida.

Não irei me alongar mais, pois quaisquer informações será um spoiller, e este blog é spoiler free, neam?!

Agora, sobre alguns pontos do livro. Com mais de 300 páginas, o livro é dividido em 11 capítulos, alguns super longos, o que causa um certo cansaço, principalmente para a maioria que prefere ler por capítulos, houve momentos em que fica contando loucamente as páginas para saber se estava perto de terminar ou não, pois até que a história atinja seu clímax o autor vai nos contando toda uma necessária introdução, sem falar no penúltimo capítulo que é simplesmente o maior de todos.

Já sobre as fotografias presentes no livro – se você teve a oportunidade de folhear o livro ou já viu nas redes sociais, com certeza já sabe da existência delas – a princípio, pensei que elas estavam ali apenas para “encher linguiça”, mas não estão. O Ransom Riggs usou sabiamente duas artes igualmente lindas, para contar sua história, a literatura e a fotografia, isso deu resultado a toda uma experiência diferente à leitura, pois as fotografias foram uma das principais responsáveis por darem esse ar mais sombrio/gótico/vampiro/roqueiro ao livro, fotografias essas, verídicas (com adição de possíveis manipulações), bem antigas e esquisitas, sério, tem algumas fotografias que são bem bem bem estranhas e creepy.


Terminei o livro com a sensação de “tá faltando algo aqui”, e ainda sem saber se realmente irei ler sua continuação, Cidade dos Etéreos, recomendo a leitura dele sim. 


24 de julho de 2016

Resenha: O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams

© Elton Cardoso
A história começa narrando mais um dia monótono na vida do londrino Arthur Dent, que tem sua monotonia interrompida quando decidem destruir a casa dele para construir uma estrada nova, indignado por não terem o avisado antes, eles decide ficar em frente à sua casa na tentativa de para a destruição, até que chega seu melhor amigo, o Ford Prefect, e o chama para ir ao bar, pois tem algo muito importante para lhe dizer. Certo de nada que o Ford lhe dirá é mais importante que salvar sua residência, Arthur nega o convite e permanece firme em impedir a destruição de seu lar, mas o Prefect é muito persuasivo e o convence a ir ao bar. Chegando lá, Ford lhe diz que a Terra será destruída dentro de poucos minutos e que ele na verdade é um alienígena exilado na Terra; mais perplexo que antes Arthur surta achando que seu melhor amigo está zoando com ele, justo no momento em que sua casa está para ser destruída, até que lhe é mostrado provas de que a Terra realmente será destruída, obviamente a residência de Arthur, por outros aliens. E com uma mensagem de socorro enviada por Ford aos alienígenas, eles conseguem serem salvos segundos antes da explosão. Logo depois, eles são expulsos da nave e jogados no meio do universo para morrerem, até que em segundos antes de morrem asfixiados são salvos novamente, mas dessa vez pelo Presidente do universo, e juntos viajam pelo universo, até chegarem em um determinado planeta e desencadearem uma série de acontecimentos e descobrimentos.

O livro é repleto de ironias, muitas mesmo, em várias situações, o autor ironizar desde coisas banais como o comportamento dos humanos, até coisas mais polêmicas como a religião. E os personagens, é claro, também são bem irônicos, adorei o Marvin, o robô mega depressivo. E durante a leitura, vemos várias referências dos futuros títulos da série.

A história tem alguns pontos muito interessantes, mas isso não foi o suficiente para que o autor me conquistasse, durante a maior parte da narração, achei a história muito chata, o que me fez dá uma pausa na leitura e iniciar um livro novo completamente diferente, e só após a conclusão foi que voltei a ler OGDMDG, e mesmo assim a leitura não fluiu, foi preciso muito esforço para continuar e lê-lo na integra – o livro tem pouco mais de 150 páginas.


A narração termina com o ar de “episódios de séries de TV sci-fi”, e mesmo que o primeiro volume dessa trilogia de cinco livros não tenha me agradado por completo, vou ler os demais por motivo de: comprei a série completa de uma vez, gastei meu dinheiro e não gosto de ver livros encalhados na minha estante. Enfim, espero que os demais volumes superem o primeiro e me faça mudar de opinião em relação ao Douglas Adams. 


16 de julho de 2016

Resenha: O Oceano no Fim do Caminho, de Neil Gaiman

© Elton Cardoso
Neste livro, o Gaiman nos apresenta um personagem que está de volta à cidade onde passou boa parte de sua infância, e ao chegar na estrada que leva à última casa no fim da estrada, ele começa a recordar de um momento específico de sua infância, que aconteceu há mais de 40 anos, e que teve como um dos principais cenário, a casa das Hempstock.

Tudo começou quando, aos 8 anos de idade, seus pais decidiram tirá-lo de seu quarto pra que o mesmo pudesse ser alugado, já que eles não estavam muito bem financeiramente, assim, ele passa a dividir o quarto com sua irmã mais nova. Logo, seu antigo quarto é alugado a um minerador de opalas vindo da África do Sul, tudo ia indo muito bem, até que um dia, o novo inquilino é encontrado morto no carro do pai do garoto, no fim da estrada. A polícia é chamada, e enquanto o pai do menino passa algumas informações aos policiais, ele conhece a Lettie Hempstock, e ela o leva para dentro da fazenda de sua família para tomar café da manhã, e em seguida, eles andam pelos terrenos das Hempstocks e juntos descobrem que a morte do minerador despertou forças há muito adormecidas que trouxe de volta uma criatura maligna.

No dia seguinte, fatos estranhos acontecem com todos os moradores da redondeza, e mais tarde ele conhece sua mais nova babá, que caiu na graça de todos da sua família, mas ele sabia que a babá na verdade era a criatura da noite anterior, que veio à sua casa para atormentar seus entes queridos, vizinhos e principalmente, o nosso protagonista – que não tem nome.

Assim, o autor nos leva a uma séries de suspenses incríveis, no qual o pequeno garoto de 8 anos tem que enfrentar, com a ajuda de sua mais nova amiga, Lettie, que mostra ter alguns poderes sobrenaturais. Com um final inesperado, O Oceano no Fim do Caminho, não decepciona, e com sua ótima narração as poucas mais que 170 páginas são devoradas rapidamente.

Este foi o segundo livro que eu li do Neil Gaiman, e assim como o primeiro livro que li dele, Coraline (que já tem resenha aqui), este tem o mesmo tipo de suspense incrível, que é umas das características mais marcantes do autor, fazendo a leitura ter valido muito.